13 de jan. de 2009

Vamos dar uma alienadinha?

Neste exato momento, enquanto escrevo este post, a grande, a esmagadora maioria dos brasileiros estão ligados em um programa. Não é qualquer programa. É o programa de maior audiência da televisão brasileira. É o programa que vai ser a base de 98% das conversas, até abril, nas salas de aula, nos escritórios, nos bares, após o futebol, e, quem sabe, até no Palácio do Planalto. Sim, é ele, o Grande Irmão do Brasil.
Por favor, apenas um aviso: se você assiste este programa, não chegue perto de mim. Ou, pelo menos, não comente NADA sobre o dito cujo perto de mim. E eu estou falando sério.
É simplesmente incompreensível como algo tão fútil, tão mesquinho tão baixo e tão vulgar pode fazer tanto sucesso. Será que as pessoas que estão lá dentro são um reflexo dos que assistem? Pode ser. Mas a questão é que não são apenas as pessoas das classes menos favorecidas, e, TEORICAMENTE, as que tem menos “cultura”, que assistem o Grande Irmão. Todas as classes sociais assistem. Tenham certeza que o assunto mais comentado em jantares burgueses, em salões de beleza cujo atendimento custa mais que meu salário do ano todo, nas faculdades, enfim, nos mais diversos lugares da “alta sociedade”, será o programa que inicia hoje.
E como se já não bastasse a Yeda, desgraça pouca é bobagem para o Rio Grande do Sul. Leio em sites por aí que o nosso estado, proclamado aos quatro ventos como o mais politizado, o mais culto, o mais desenvolvido do Brasil, terá TRÊS representantes. Semana passada, estava degustando o DELICIOSO almoço preparado por estas mãos que ora digitam o teclado, quando o Jornal do Almoço (melhor nome) passa uma matéria mostrando a vida, as fotos, as famílias, os cachorros, os canários belgas, enfim, tudo sobre os três gaúchos que nesse momento estão conversando com Pedro “Adoro Fazer Crônicas” Bial. Obviamente, quando vi do que se tratava, troquei de canal, mas quando voltei para o canal dos Sirotski, mais de dez minutos depois, a matéria ainda estava lá, me atormentando. Com certeza, foi a grande matéria do dia, afinal, passou no horário mais “nobre” do noticiário.
Ontem estava no ClicRBS quando vejo uma das matérias: “Família de Fulana (nome da participante) já encomendou as camisetas para a torcida”. E a matéria dedicava-se a mostrar como ia ser a camiseta que a família de uma das três pessoas usaria para torcer pela bendita. Dava, inclusive, detalhes como o local onde foi feito e o número de camisetas encomendadas. A mãe, inclusive, deu uma declaração parecida com essa: “Ela pediu que as camisetas fossem desse tipo”.
É, realmente não será fácil sobreviver intacto às rodas de conversa nos próximos três meses. O que nos resta é tapar os ouvidos ou engolir o que dizem e depois vomitar tudo no banheiro.
Recomendo, também, não entrar em sites do tipo Terra, Globo, Uol, entre outros, pois o assunto do momento todos já sabem qual é. Não, não é o genocídio em Gaza, não é a crise econômica mundial, não é a posse de Obama. È um programa que oferece muita cultura, ensino e inteligência à população brasileira. Um programa que ensina vícios lindos como cigarro e bebida. Um programa que nos faz refletir muito sobre a situação atual do Brasil. Afinal, um programa cuja proposta é dar comida, bebida, diversão e tranqüilidade (Trema FOREVER) de graça a 18 pessoas sem cérebro deve ser muito mais interessante do que Papos Chatos como política, cultura, educação...

12 de jan. de 2009

POST EXTRA - Ministério Público de SC processa a RBS por monopólio!

Achei esse texto no Observatório da Imprensa e, obviamente, precisava dividir com vocês!


ENTREVISTA / CELSO TRES "É a RBS que governa o estado"

Por Rafaela Mattevi e Cora Ribeiro em 16/12/2008

Publicado originalmente no jornal-laboratório Zero, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), edição de novembro 2008

Na quarta-feira (10/12), o Ministério Público Federal de Santa Catarina entrou com uma Ação Civil Pública (processo nº. 2008.72.00.014043-5) contra o oligopólio da empresa Rede Brasil Sul (RBS) no Sul do Brasil. O MPF requer, entre outras providências, a diminuição do número de emissoras da empresa em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, de acordo com a lei; e a anulação da compra do jornal A Notícia, de Joinville, consumada em 2006 – que resultou no virtual monopólio da empresa em jornais de relevância no estado de Santa Catarina. O quadro geral da situação pode ser conferido a seguir, na entrevista realizada em novembro com Celso Tres, um dos procuradores que elaborou a medida judicial.
***

O Cade também é réu

Desde 2006, o MP fala em processar a RBS pela compra do jornal A Notícia. Isso vai acontecer?

Celso Tres – Sim, a ação está sendo instruída há dois anos, por meio de um Inquérito Civil Público (ICP), porque é bem complexa. Também participam vários procuradores no estado. A RBS tem uma posição totalmente dominante. No RS e em SC, são 18 emissoras de televisão, dezenas de estações de rádio, uma dezena de jornais. E a culminância disso foi quando a RBS comprou o jornal A Notícia, o que a tornou dona de todos os jornais de expressão dos dois estados.
Então, o que nós vamos discutir é essa questão do oligopólio à luz inclusive da lei que regula a ordem econômica, não é nem a lei da mídia propriamente dita. É tão grotesco isso, que nem essa lei que regula a atividade de economia em geral permite o oligopólio – obviamente, é muito menos lesivo numa sociedade você ter um oligopólio de chocolate, pasta de dente, do que ter oligopólio da mídia. Falo oligopólio, porque monopólio seria a exclusividade absoluta; mas a RBS tem posição quase totalitária.
A tendência da economia é a concentração e, por isso, certas compras de empresas têm que ser analisadas. Esse caso da RBS é um escândalo, ela governa o estado. Como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a compra do AN? O Cade é réu na ação porque aprovou isso.

Violação a direito difuso

O que vai ser requerido, especificamente, na ação?

C.T. – Em linhas gerais, o que o MP demanda é: primeiro, que a compra do AN seja desfeita – eles vão ter que devolver o jornal para o antigo dono ou vender para terceiros; segundo, que seja cumprida a lei que diz que eles só podem ter no máximo duas emissoras no estado, ou seja, que acabe essa farsa que é de ser tudo da mesma família; e terceiro, o que eu acho mais importante, a implementação da programação local. A Constituição Federal determinou que é obrigatória a programação local. Só que em 20 anos nunca se adequou a lei. Então, o MP está querendo que a Justiça arbitre um percentual – 30% de programação local no âmbito do estado e 15% em cada região, no mínimo.
São inúmeros réus: todas as pessoas físicas da RBS, cada "emissora", o Cade; a União, por causa do Ministério das Comunicações (MC). E o MP pede para que a Justiça estabeleça uma multa por violação a um direito difuso, em razão da omissão do poder público. A gente vai entrar com a ação nos próximos meses e a sentença em primeiro grau deve sair em um ano.

Evitar concentração

O que foi feito no Inquérito?

C.T. – O ICP não é um processo judicial, não tem contraditório, ou seja, quem é investigado não tem direito de resposta. Mesmo assim, o MP abriu pra RBS se manifestar e, inclusive, eles vieram com o mesmo discurso do Ministério da Comunicação. Eles [a RBS e o MC] se comunicaram, é uma piada. A mesma pessoa que redigiu a resposta do Ministério redigiu a da RBS, é uma coisa vergonhosa. O mesmo discurso: "Não, porque a lei diz que é a mesma pessoa física só que no caso não é." É chamar o legislador de imbecil.
Quando a lei diz que tu não podes ser titular de mais de dois veículos, qual é o objetivo dela? É evitar concentração. Se é da mesma família, se tem a mesma programação, está concentrado, é evidente. É uma fraude clara ao objetivo da lei. Não teria sentido proibir que alguém seja proprietário de mais de dois meios de comunicação e permitir que esse meio de comunicação transmita a mesma programação, tenha a mesma linha editorial etc. É a mesma coisa que nada.

Pessoa física, e não pessoa jurídica

Então o problema do oligopólio é a fiscalização?

C.T. – A nossa legislação é desacatada porque o uso da radiodifusão sempre foi um benefício político. Essa relação do poder público está tão viciada que o MC não faz absolutamente nada para reprimir esses ilícitos e o caso da RBS é muito claro.
Na última eleição [para governador], isso ficou bastante evidente. A tríplice aliança de Luiz Henrique foi com a RBS; foi uma vergonha porque no primeiro turno a RBS anunciava que não ia ter segundo turno. Daí, deu segundo turno e eles anunciaram até um dia antes da eleição dizendo que a diferença era astronômica e, no final, deu 5% de diferença entre o Amin e o Luiz Henrique. Então não há dúvida de que a RBS elegeu o Luiz Henrique. Independentemente da pressão política, isso é irrelevante para o MP. Mas qualquer inocente sabe que a massificação de alguém que está na frente arrasa, induz o povo a votar.
Em cada estado, um titular só pode ter no máximo duas emissoras – emissoras, não retransmissoras. Este é outro vício: as emissoras têm outorgas de emissão, ou seja, elas deveriam produzir programação, mas não produzem ou fazem uma programação local ínfima, como é o caso da RBS. Existem várias "emissoras", em Florianópolis, Criciúma, Lages, Xanxerê, Blumenau, Joinville. Mas, na verdade, elas só produzem um noticiário local.
Hoje, na verdade, em SC, ou você trabalha na RBS ou você está fora. Você vai estar trabalhando ou em órgãos bem pequenos, espaço de trabalho inclusive bastante reduzido, caso do que eles fizeram com o AN. As matérias são as mesmas, teve um momento assim que chegaram ao ridículo de colocar a mesma manchete, a mesma matéria.
A radiodifusão – emissora de rádio e TV – deve estar em nome de pessoa física, não de pessoa jurídica, e cada pessoa só pode ter duas por estado. Daí, o que eles fazem é colocar em nome de pessoas da família. E isso tudo está demonstrado claramente na ação. Inclusive a questão da retransmissão.

Dizimar a concorrência

E isso não é contrato simulado, colocar tudo no nome da família inteira?

C.T. – Essa questão da titularidade é uma questão criminal, porque é uma falsidade ideológica. Isso a gente vai verificar mais tarde. O objetivo, agora, é mudar a realidade. O MC diz que não controla isso porque a RBS está em nome de terceiros. É óbvio que é irrelevante que a concessão esteja no nome de A ou B, até porque – como é o caso de Blumenau, que não está no nome da família Sirotsky – retransmitem a mesma programação, essa é a grande questão, o conteúdo.
A lei diz que ter 20% do mercado é ter posição dominante e obviamente a RBS tem isso. E essa questão tem vários aspectos: direito à informação e direito à expressão, e também a questão da publicidade. Por exemplo, o Diarinho de Itajaí, o que a RBS faz com os caras? Na Rede Angeloni, faz contratos publicitários, impedindo que o supermercado coloque lá o Diarinho para os caras venderem. Então não existe concorrência, acabou. A concorrência é dizimada. Na Grande Florianópolis, eles lançaram o jornal A Hora a R$ 0,25, o que é claramente um preço inferior ao de custo, pra dizimar com a concorrência. Essas são as práticas deles.

Executivo subalterno

Existe solução?

C.T. – A questão é permitir a multiplicidade. A rede pública de televisão, com a criação da TV Brasil, poderia ter sido uma saída, mas o governo fez tudo errado. O correto seria que o Estado disponibilizasse canais, não adianta tentar produzir programação.
Seria fácil: criar 30 canais de TV para serem disponibilizados à população. Depois seria só colocar retransmissoras públicas nos centros urbanos, para os canais transmitirem programação independente. Uma medida simples, percebe? Bastava criar os canais e construir as retransmissoras. É uma questão tecnológica e de vontade política.
Custaria muito mais barato do que o governo tentar produzir programação e todos teriam oportunidade de fazer sua produção. O governo faria as retransmissoras, pura e simplesmente. Seria uma revolução na comunicação. A mídia, em pouco tempo, mudaria porque, com uma multiplicidade de canais, o canal com maior audiência chegaria a 15%, 10%, como é nos EUA, que é o correto.
Certamente se o governo viesse "Ah, vamos fazer aplicar a lei das duas emissoras", eles iam dizer, "Não! É uma lei da ditadura! O Lula é o Chávez." É uma besteira. O que diz a lei? Cada cidadão tem que ter um número x de canais, essa é a meta. Podia botar no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) isso aí. É uma questão econômica, direitos individuais, gera muito emprego, oportunidades, veiculação comercial; atingiria em cheio a própria economia.

O principal modo de democratizar não seria combater o monopólio e o oligopólio?

C.T. – O primeiro passo seria esse, mas, como eu falei, os órgãos do executivo são muito subalternos e também a RBS pode virar o governo. Qual a finalidade de um deputado federal que vai lá propor uma legislação mais rígida para isso? Se é um deputado de SC, a RBS vai fazer algumas reportagens contra o cara e ele está acabado. O cara não se reelege mais.

Você já foi ameaçado?

C.T. – Não, por isso não.
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10 de jan. de 2009

Eu, eu mesmo e o futebol

Quinta-feira, 08 de janeiro de 2009. Em frente ao Hotel Dall’Onder Vitória, em Bento Gonçalves, centenas de pessoas. Um temporal está caindo. Nenhuma delas se importa. Todas estão na chuva, completamente ensopadas. Há crianças, há idosos. Todos pulam sob chuva, raios e trovões. O momento de maior loucura foi ao cantar Atirei o P.. no Inter.
Sim, o assunto volta a ser futebol. Milhares de pessoas enfrentaram o dilúvio que caía sobre a Serra Gaúcha na última quinta-feira para receber a delegação do Grêmio. Centenas de pessoas no trevo de acesso a Carlos Barbosa, outras tantas em frente ao Posto do Avião, e a maior concentração, em frente à Pipa Pórtico.
Só o futebol. Só o futebol seria capaz de movimentar, de mobilizar as pessoas desta maneira. Será que se o assunto fosse “Protesto contra a Chacina em Gaza”, alguém sairia de sua casa naquele dia? Os jogadores passaram, abanaram e entraram no hotel, onde tomariam um banho quente, comeriam do bom e do melhor e checariam sua conta bancária para ver se o astronômico salário já estava depositado. Enquanto isso, as milhares de pessoas que estavam lá, sob a chuva, iriam para casa, provavelmente muitos deles acordariam no dia seguinte com uma forte gripe, outros perderiam pertence4s no meio do tumulto (fiquei sabendo que um guri de Garibaldi perdeu o celular NOVO com TV DIGITAL). Talvez muitos não teriam o que comer. Mas estavam realizados, pois estavam felizes, aquele momento os satisfez.
No link a seguir, vocês podem conferir algumas fotos do "evento": http://www.clicrbs.com.br/clicesportes/jsp/default.jsp?newsID=DYNAMIC%2Cgaleria.GalleryDelivery%2CphotosGalleryXml&mnit=7&template=1482.dwt&groupid=39&galeriaid=16161&uf=1&local=1&section=galeria

É, vai entender o futebol.




Em tempo: muitos de vocês devem estar se perguntando como eu sei todas essas informações, não é mesmo?
Bom, eu estava lá também.

Sim, já podem atirar as pedras.

30 de dez. de 2008

O futuro já começou, bem dizia Roberto Marinho e seus amigos militares

Israel continua bombardeando a Faixa de Gaza, testando inclusive novas armas, as quais estão proibidas pela Convenção de Genebra. Estas armas provocam ferimentos internos profundos e geralmente resultam em amputação ou mesmo na morte do paciente.

A Universidade Islâmica de Gaza foi totalmente destruída pelos bombardeios israelenses, incluindo a Biblioteca Islâmica, com 130 mil livros. A instituição, com mais de 30 anos, virou ruínas em segundos.

A Câmara de Vereadores de Porto Alegre, escondida no dia 29 de dezembro, aprovou os dois projetos de construção e reforma dos estádios da dupla Gre-Nal, ignorando por completo o Plano Diretor da cidade e todas as normas de construção de prédios nas áreas em questão. Agora, as obras, construídas por empresas PRIVADAS, poderão ser executadas sem prejudicar os lucros das empreiteiras

Hoje em dia, assassinato por tráfico de drogas virou um fato tão banal que não ganha mais nem uma nota miúda num canto esquerdo das páginas dos jornais.

O aquecimento global aumenta dia após dia.

Yeda Crusius segue firme com o projeto de sucatear a educação gaúcha. Mas tudo bem, o que importa é que ela está diminuindo o déficit.


Faça sua parte: vista branco, coma lentilhas e pule sete ondas.

E Feliz 2009.

29 de dez. de 2008

As andorinhas (e os posts) voltaram

Oi, tudo bem? Lembram de mim?

Sim, eu devo desculpas. Afinal, foram mais de 30 dias sem uma mísera postagem, uma total falta de respeito aos MILHARES de leitores que esse blog conseguiu em menos de quatro meses.
Mas sabe como é. Por enquanto (eu disse por enquanto) ainda não sou sustentado por esse blog, e, portanto, preciso trabalhar para ter direito aos LUXOS DA VIDA, como uma Heineken, uma Havaianas nova e um sanduíche de presunto. E o trabalho me consumiu (ui) por inteiro nesse último mês.
Aliás, muita coisa aconteceu desde o longínquo 25 de novembro até hoje. Para reforçar a tese de que estou ficando velho, já sou um cara formado, e além disso já organizei um Natal Borbulhante de lá para cá. Mas sobrevivi, e cá estamos nós, prontos para outra.

Redação de Papos Chatos no último mês de dezembro

Eu não podia apenas postar assim, sem mais nem menos. Era preciso fazer algo para marcar essa volta TRIUNFAL à vida blogueira. Por isso, resolvi mudar a cara do blog. Acho que essa nova versão ficou mais a cara da proposta de Papos Chatos, que é oferecer um espaço para discussão das chatices da vida cotidiana.
Além disso, a idpeia, com o passar do tempo, é incrementar o blog com pesquisas, links de outros blogs e sites, além de postagens bem mais freqüentes, não apenas de textos, mas de charges, links, notícias, enfim.
E para que tudo isso dê certo, preciso da força de vocês, nobres comentaristas, que quase pegaram em armas exigindo a volta das postagens. Comentem, discutam, opinem, mandem textos. Só assim poderemos ficar, cada vez mais, um bando de chatos.

Ah sim! Logo aí de baixo já tem post novo!


21:58, 29 de dezembro de 2008

Estava eu muito tranquilo na última sexta-feira à noite, no auge da vida sedentária (comendo os chocolates do Natal e bebendo a bebida do SISTEMA), atirado no sofá e (glup) assistindo a Retrospectiva 2008 da Globo quando o apresentador Sérgio Chapelin anuncia: “E agora vamos ver qual foi o acontecimento que os leitores e internautas escolheram como O FATO DO ANO.
Pense aí: para você, qual foi o fato do ano?

a) Barack “We Can” Obama?
b) O crash do capitalismo americano?
c) A tragédia em Santa Catarina?
d) O tufão em Mianmar que matou mais de 30 mil pessoas?
e) O terremoto na China que matou 80 mil?
f) O recorde de aprovação do governo Lula?

Pois para os leitores e internautas do site G1 (alguém vê alguma mensagem subliminar no nome do site de notícias da Globo?), nenhum dos seis fatos acima foi o fato do ano.
Para eles, o fato do ano foi O CASO ISABELA.
É, eu sei. Bem feito pra mim. É nisso que dá querer trocar o recém adquirido livro do Luis Fernando Veríssimo por alguma horas de sedentarismo.

25 de nov. de 2008

Fazendo amigos e influenciando pessoas

Fazem seis anos já. Corria o longínquo 2002. Garibaldi mal havia começado a receber asfalto no centro, Obama era apenas mais um negro dos EUA e eu ainda acreditava que jamais o Inter seria campeão mundial. Pois bem. Foi no distante 2002, mas eu me lembro como se fosse hoje.
Eu era apenas um estudante do ensino médio a alguns meses da formatura, e estava prestes a começar apenas mais uma aula. Mas era véspera de eleição presidencial. E, na aula de literatura, a professora passou TODO o período tentando nos convencer a votar em José Serra (PSDB) e a humilhar Lula (PT). Lembrando, para quem não sabe, que as aulas tinham (e ainda tem) a duração de duas horas, e não de meros 50 minutos. Pois foram duas horas de argumentos do tipo: “Como votar em alguém que nunca trabalhou?”, “Como votar em um cara semi-analfabeto”, “Como votar em um cara que tem nove dedos”, entre outras. Percebi muitos de meus colegas transformados por aquele discurso, os quais saíram daquela aula nutrindo um ódio mortal pelo PT. Eu não caí na conversa, mas me mantive na minha, afinal não passava de mais um alienado estudante secundarista. Fosse hoje, e não sei o que faria com aquela professora. Não sei.
Digo isso para mostrar nossa situação como professor. Vida dura, essa. Ao mesmo tempo em que temos que fazer com que os alunos pensem com suas próprias cabeças, também é dever deixá-los tomar a decisão que acharem melhor. Eu poderia muito bem, nestes meus dois meses de estágio no ensino médio, ter discursado para que meus alunos votassem no PT nas últimas eleições municipais. Mas não poderia fazer isso. Seria injusto com eles, seria injusto com todos. É dever do professor apenas apresentar os meios (e os fins) para que eles pensem com suas próprias cabeças, e não influenciá-los diretamente. Meus alunos perceberam o quanto não gosto da Rede Globo, mas o que passei a eles foi a oportunidade de saber raciocinar e analisar as informações transmitidas pela tv do Marinho. E foi assim que terminei meu estágio, com a esperança de ter desatado alguns nós no cérebro daquela gurizada para liberar as correntes de pensamento.
Quanto àquela professora, bem, ela ainda continua dando aulas por aí. Espero não encontrá-la em alguma sala dos professores num futuro próximo. Mas, se isso acontecer, terei o maior prazer em vestir vermelho.

20 de nov. de 2008

Peso na Consciência

Eles foram maltratados, humilhados e achincalhados como animais por cerca de quatro séculos.
Ganharam a liberdade, mas não a cidadania.
Estavam livres, mas não tinham para onde ir.
Hoje, são sinônimos de favela, pobreza, pedintes, criminosos, assaltantes e bandidos.
No Rio Grande do Sul, sofreram com a “limpeza social” promovida no século XIX durante a “Revolução” Farroupilha.
No Brasil, sempre que um deles é preso, tem sua imagem explorada pela mídia.
Aliás, sobre a mídia, esta nunca os colocou em papel de destaque nas novelas, sempre como motorista ou empregada. Hoje, um deles tem papel de político; mas um político corrupto.
Hoje, 20 de novembro, são lembrados. Amanhã, 21, já estarão esquecidos.
Não é preciso escrever muito. Uma reflexão interna (e externa) surge como mais saudável no momento.

(...)

Feliz Dia da Consciência Negra.

15 de nov. de 2008

Programa de domingo: ir comprar uma moto na UCS

A Universidade de Caxias do Sul inaugurou, dentro de seu campus, uma loja da Colombo e uma revenda de motos. Pronto. Só esta frase já seria suficiente para deixar subentendido o que eu quero expressar neste post. Mas vamos tentar nos aprofundar um pouco mais, afinal, amanhã é feriado (obrigado Deodoro!) e não tenho a obrigatoriedade de ouvir aquele toque bizarro do despertador.
Escrevo para questionar qual o real sentido da universidade nos dias de hoje. Não faz muito tempo, a “academia”, como os saudosistas costumam chama-la, era um local para o desenvolvimento de idéias, de ações, de discussões em torno de um mundo melhor. Não sei se isso parece saudosismo de alguém que gostaria de ter vivido há algumas décadas atrás, mas não encontro isso na universidade hoje.
Com exceção de alguns pontos isolados (o bloco da História é um deles, modéstia à parte), o que observamos na Universidade de Caxias do Sul (cito esta por ser aquela da qual participo) é um desfile de patricinhas e mauricinhos com suas bolsas chiquééérimas, seus Nike bordados a ouro e suas camisetas da Cavalera. Ok, estou sendo um pouco radical sim. Boa parte dos que estudam lá à noite são pessoas que trabalham durante o dia e ocupam o “terceiro turno” para estudar, ma o questionamento que faço é a alienação que impera sobre essas pessoas. Tomemos como exemplo o protesto realizado há algumas semanas atrás contra o aumento das mensalidades. A grande maioria das pessoas passava pela concentração, fingia que não era com elas e seguia a passos apertados ou com sorrisos debochados, do tipo “ai, jamais vou pagar esse mico”. No entanto, são as primeiras a reclamar do aumento. A participação foi mínima, tomando por base o número de alunos. Onde está o espíriito de protesto, de inconformidade, de união dos universitários numa hora dessas?
Com todo respeito à turma das Exatas, mas é assustador ver o nível de alienação das maioria dos alunos. A universidade deixou de ser um centro pensante para não ser mais do que uma escola técnica, reprodutora de idéias da grande mídia para a grande massa.
Ah, claro que existem as exceções, e os leitores deste blog fazem parte delas. Mas vocês, meus amigos, como acabei de dizer, são exceções. Minha preocupação é com a grande maioria dos universitários, que acham perfeitamente normal a Colombo inaugurar uma loja bem no meio do centro de convivência e uma revenda de motos perto da biblioteca. Junte-se a isso a monopolização do sistema bancário (Santander exigiu exclusividade), uma biblioteca com catracas (passe o cartão, por favor), a extinção da venda de cervejas (esta sim a tragédia do século), e temos o verdadeiro retrato do que é uma universidade nos dias de hoje: consumista, capitalista, ditatorial e alienante.
Preocupante? É, talvez. Mais preocupante ainda é pensar que a “nova geração” – alô idade, um abraço – que vem entrando nas universidades chega mais alienada ainda, e tem como maior preocupação pedir dinheiro para o pai pra poder comprar aquela máquina digital que viram na vitrine da Colombo...

5 de nov. de 2008

Apenas mais um texto sobre Barack Obama

Apesar de não ser muito adepto do positivismo, sou obrigado a admitir que certos dias ficam para a história. 04 de novembro de 2008 é um deles. A data de ontem ficará marcada como a que tornou pela primeira vez na história um negro como a pessoa mais poderosa do mundo.
Não sei se Luther Kink e Malconm X imaginavam que um negro iria atingir a presidência dos Estados Unidos, ao menos não tão “cedo” assim, apenas algumas décadas depois deles terem sido assassinados. Aliás, sobre isto, sabemos que os americanos são especialistas em assassinatos de presidentes (não apenas de presidentes), e há quem aposte num desfecho trágico para o quase conto de fadas chamado Barack Obama.
E eu, que não sou o maior fã do idioma inglês, acabei aprendendo mais uma palavra, de tanto ver e ler sobre o assunto: Change. Mudança foi a palavra que guiou a campanha do jovem Obama, e mudança é o que guiou os americanos às urnas nesta terça-feira.

Não sei não...
Até que ponto a eleição de ontem pode realmente significar mudança? Pois sabemos que os EUA continuarão capitalistas, continuarão imperialistas, continuarão explorando as riquezas dos outros países e impondo barreiras comercias. Ou não? Será que Obama realmente vai provocar uma reviravolta no planeta? Acho difícil uma grande mudança, apesar de os EUA estarem claramente num declínio, normal quando os impérios atingem seu auge. A crise econômica também poderá guiar a política estadunidense, afinal, o presidente deverá sofrer pressões incríveis dos bilionários americanos.

Ohhhhhhhh

Enfim, vamos ficar na expectativa e ver o que acontece. Ainda quero ter mais fatos para poder construir uma real imagem de mudança em cima do “pop” Obama. No entanto, já fico muito feliz de saber que não verei mais aquela inominável pessoa chamada George War Bush com a imagem da Casa Branca ao fundo. Melhor que ele se especialize em contar histórias de ovelhinhas para crianças do primário.