15 de out de 2009

Yes, he can

Tal qual um iraquiano que sai da porta de sua casa e vê uma bomba caindo sobre a sua cabeça, o mundo foi surpreendido no início desta semana com o anúncio do ganhador do Prêmio Nobel da Paz: Barack Obama. O presidente americano recebeu a honraria, segundo a comissão organizadora do prêmio, por seus “intensos esforços diplomáticos em prol da pacificação no planeta”. Em partes, podemos concordar, mas na minha opinião o prêmio ainda é um reflexo do “Efeito Obama” que tomou conta do planeta já faz um ano.
Tudo bem que Obama tem um trabalho árduo. Afinal, consertar todas as besteiras diplomáticas e militares que seu antecessor fez não é nada fácil. George “War” Bush conseguiu colocar os Estados Unidos num patamar de repulsa e aversão jamais alcançado anteriormente. Não é fácil carregar uma herança deixada por um presidente louco, sem neurônios e amigo íntimo da maior indústria americana, a indústria bélica. Por outro lado, dar o Nobel da Paz a um presidente americano surge como uma falta de sensatez. Como o presidente da nação mais imperialista, que estende seus tentáculos a quase todos os cantos do planeta, que com seu lixo cultural destrói as culturas de dezenas de nações, pode receber tamanha distinção?
Creio que isto pode ser visto como uma injeção de ânimo no planeta, numa proporção menor, mas semelhante àquela que vimos há um ano atrás, quando da eleição do mesmo Obama. O mundo estava mergulhado na pior crise desde 1929, e a eleição de um negro para a presidência do país mais poderoso do mundo caiu como uma luva para o planeta. Criou-se um sentimento de mudança, de novidades, algo que não víamos há muito tempo. O prêmio para Obama pode ser visto como isso, algo novo em um planeta que precisa de coisas novas.

Uma outra teoria que acabei de inventar também diz que pode ser uma forma de manter os Estados Unidos no centro. Óbvio que eles não foram parar em nenhum momento na periferia das discussões, mas a crise econômica certamente o fez perder um pouco de seu terreno, cujos lotes foram comprados por vários outros países do mundo, inclusive o nosso. Os Estados Unidos já não são mais o rei intocável dos anos 90, por isso é preciso mantê-los em alta. A eleição de Chicago para ser sede das Olimpíadas de 2016 fazia parte destes planos, mas foi frustrada pela linda, maravilhosa, desenvolvida, segura e incorruptível cidade do Rio de Janeiro.
Por fim, também não se pode mais considerar o Nobel como um “prêmio verdade absoluta”, pois a política e os interésses (abraço, Brizola) estiveram por trás de boa parte das premiações.
Mas o fato é que Obama é o Nobel da Paz e as bombas continuam caindo sobre Iraque e Afeganistão, as tropas continuam nestes países, as bases estadounidenses continuam na Colômbia, no leste da Ásia e em dezenas de nações “independentes”. Mas, para que esperar coerência? Afinal, não foi Nobel quem inventou a dinamite?

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