29 de out de 2008

Se eleito for...

Sabe quando você abre aquela caixa de bombons só pra beliscar um deles, de sobremesa, aí come outro, e mais outro, e quando percebe, comeu a caixa inteira?
Com a política parece acontecer o mesmo. As baterias das urnas eletrônicas nem esfriaram, e todos os políticos já pensam nas próximas eleições, daqui a DOIS ANOS, em 2010.
No dia seguinte às vitórias (e derrotas) eleitorais, caciques políticos já davam entrevistas declarando abertamente que estão traçando o planejamento de 2010. Ou seja, pelos próximos dois anos, tudo estará sendo feito com um único objetivo: movimentar a máquina pública para conquistar os estados e o país. E a população, onde fica? À mercê de homens com um único objetivo: ganhar seu voto?
Por isso é que é preciso repensar os políticos e as eleições de um modo mais amplo. Já falou-se na possibilidade de realizar todas as eleições, de presidente a vereador, em um único ano. Desta forma, pelo menos, evitaríamos casos ridículos como de prefeito que renunciam em dois anos para poder concorrer a governador, ou de vereador que concorre a deputado, etc. De qualquer forma, estas super-eleições provocariam um inchamento de propostas, idéias (e verbas) que poderiam confundir ainda mais o eleitor, sem falar na dificuldade de fiscalização por parte do TSE.
De qualquer forma, fica a pergunta, que eu gostaria que os amigos respondessem nos comentários: para que serve, afinal, a política?
O texto hoje é curto, mas é por causa do temporal que se aproxima rapidamente. Tão rápido quanto a mudança nas características dos candidatos antes e depois das eleições.

23 de out de 2008

Jornais, microfones e parasitas

A imprensa é uma espécie de parasita. Está sempre à espera de um feito com características que possam alavancar sua audiência para então explora-lo ao extremo, em todos os seus ângulos, até quando a população não demonstrar mais interesse pelo assunto. A partir daí, vai-se em busca de algum outro fato, e o ciclo se repete.
Foi assim com o caso da menina Isabela, aquela jogada do sexto andar, está sendo agora com o caso da garota Eloá, morta pelo ex-namorado em um seqüestro que durou diversos dias e teve ares de Big Brother.
É incrível a capacidade que certos veículos tem em usar a dor alheia para buscar alguns pontos de audiência ou vender alguns jornais a mais. Desde que o namorado de Eloá invadiu a casa, até o trágico desfecho, foram dezenas de horas com centenas de repórteres acampados em frente ao edifício, mostrando a situação de todos os ângulos, explorando a dor de familiares, vizinhos, amigos, expondo as fotos da garota no orkut, enfim.
Seguramente, se a imprensa não tivesse explorado a situação da maneira que explorou, o desfecho poderia ter sido diferente. Mas se está dando audiência, então vamos continuar explorando. E o resto, já sabemos como foi acabar.
Com a pobre da menina Isabela, então, nem se fala. Eu chegava a sentir náuseas toda vez que a imprensa falava sobre a pobre da garota. Hoje, fala-se ainda? Não. Hoje, o Caso Isabela não é mais pop.
Quantos crimes não acontecem TODOS OS DIAS nas cidades brasileiras e não passam de uma mera nota de jornal? Quantas barbáries são executadas nas favelas deste país, e todas acontecem no anonimato? Difícil calcular. O fato é que por cerca de dez dias ainda ouviremos falar muito na pobre Eloá. Depois, bem, aí é só esperar um novo hospedeiro para o parasita.

19 de out de 2008

Futebol, esse mistério

Nos últimos dias, o lado azul do Rio Grande do Sul quase pegou em armas por causa do julgamento do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) que puniu três jogadores do Grêmio de forma arbitrária e injusta. HORDAS de torcedores levantaram-se para gritar em alto e bom som a “vergonha que era aquilo”, rádios, passaram a tratar apenas daquele assunto, jornais manifestaram seu repúdio, o orkut abarrotou-se de fóruns destinados apenas a chamar de MERETRIZ a mãe do presidente do STJD, enfim. Até, pasmem, o lado vermelho da força solidarizou-se aos arqui-rivais para pregar um levante contra a “força que vinha do eixo do mal”.
Enquanto isso, deputados usufruem de nosso dinheiro trabalhando algumas poucas vezes ao mês, contratando dezenas de apadrinhados, gozando do “recesso branco” por três meses. Ah, mas isso não importa. O importante mesmo é saber quantos jogos aquele uruguaio de 1,96m vai pegar de suspensão.
Confesso que não consigo e não tenho nem pistas para desvendar esse mistério que é o futebol no Brasil. Incrível como um esporte que não irá agregar nada à vida do cidadão possa cativar e enfeitiçar tantas pessoas (inclusive o dono deste blog). Sei que aqui estou lidando com muitas leitoras que não ligam muito para o futebol, mas vocês, minhas amigas, são raríssimas exceções. O futebol cativa desde Chico Buarque até aquele mendigo esquecido pela sociedade embaixo de um viaduto qualquer.

Dia de trabalho no congresso...


... e no Maracanã

A teoria mais aceita é a do Pão e Circo. Entretenimento barato (nem tanto) para o povo, esquecendo assim dos problemas que lhe afetam. Junte a isso a construção da imagem de um povo que está sempre alegre (exceto no dia seguinte à derrota de seu time na final de um campeonato), e pronto! Podemos construir e desconstruir todos os problemas que quisermos, pois o mais importante sempre será saber por que o Dunga põe o Josué de titular.
Claro que há também o apelo comercial, afinal hoje o futebol é um negócio bilionário, que movimento o mercado oficial e principalmente o não-oficial. Fazer um jogo de futebol movimenta toda uma estrutura que muitas vezes passa despercebida por nossos olhos.

Brasileiras preocupadas com o nível dos debates no Congresso
Mais despercebida ainda passa a estrutura de Brasília. Contratações, projetos, funcionários-fantasmas, enfim. São muitas as coisas que acontecem e o povo não percebe, ou não quer perceber. Quão melhor seria nosso país se o povo brasileiro ficasse tão zangado com nossos deputados como fica com nossos zagueiros. Para estes, perdemos horas e horas discutindo o que fazer, o posicionamento correto, se devem ser dois ou três, etc. Para falar sobre os deputados, mais simples usar a frase: “é tudo igual”.
Pão e Circo pode ser uma boa teoria, mas não sei. Acho que há mais coisas entre o futebol e os brasileiros do que sonha a nossa vã filosofia. Mas não cabe a mim tentar decifrar tudo isso. Fico satisfeito em procurar me manter informado sobre as coisas que acontecem no Planalto Central e repassa-las a meus alunos, a fim de que eles possam desenvolver o senso crítico mais apurado possível. Além, é claro, de guardar o dinheiro da cerveja para assistir Portuguesa x Grêmio amanhã.

10 de out de 2008

Justiça, cega?

O post de hoje não é uma crônica, não é um texto criado por mim. É apenas uma notícia, um retrato do Brasil.


STF reconduz promotor acusado de matar jovem ao MP

Thales Ferri Schoedl voltou, pela quarta vez, a ser promotor de Justiça. Esta última reintegração de Schoedl ao cargo se deu por meio de uma liminar concedida na quinta-feira pelo ministro Carlos Alberto Menezes Direito, do Supremo Tribunal Federal (STF), e divulgada ontem. Schoedl volta, assim, a receber salário de R$ 18.009,75, a ter direito a foro privilegiado - e, como continua com o exercício das funções suspenso, terá tudo isso sem precisar trabalhar. O entendimento do ministro ainda será submetido aos integrantes da 1ª Turma do STF.
O promotor é acusado de matar Diego Mendes Modanez, de 20 anos, e de ferir Felipe Siqueira Cunha de Souza, de 21, na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, em 30 de dezembro de 2004, após uma discussão por ciúmes.
O ministro entendeu que o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) não tem competência para cassar a vitaliciedade de um promotor, como fez em agosto. A cassação gerou a exoneração de Schoedl pelo procurador-geral de Justiça de São Paulo, Fernando Grella, publicada no Diário Oficial do Estado de 19 de agosto. Segundo Direito, "não consta a atribuição de competência ao Conselho Nacional do Ministério Público para determinar a exoneração de membro do Ministério Público".
O advogado que representa as famílias das vítimas, Pedro Lazarini Neto, disse que vai recorrer. "Enquanto houver esse conselho, criado constitucionalmente para evitar os excessos ocorridos dentro dos órgãos, seria sensato que o STF reconhecesse a validade de suas decisões", afirmou. "Se o conselho não tiver competência para isso, então que seja extinto", alfinetou. Na opinião do advogado, a liminar mostra que, como disse Martin Luther King, "todos são iguais perante a lei, mas uns são mais iguais que os outros".
A decisão foi comemorada pela defesa de Schoedl. "Estamos satisfeitos com o cumprimento das leis e da Constituição. O CNMP não tem competência para fazer o que fez", afirmou o advogado Luís Felipe Marzagão. Assim que tiver conhecimento oficial do despacho, Marzagão pretende comunicar o Tribunal de Justiça de São Paulo, onde corre o processo criminal que Schoedl responde por duplo homicídio - um consumado e um tentado. A idéia é que ele seja julgado o quanto antes. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


A fonte é o http://br.noticias.yahoo.com/s/08102008/25/manchetes-stf-reconduz-promotor-acusado-matar-jovem-mp.html

Vamos refletir.

8 de out de 2008

Sobre vinhos, queijos e estrelas

Ânimos acalmados, festa realizada, esperanças renovadas (ou não), é hora de vermos as lições que podemos tirar destas eleições municipais. Minha análise vai ficar restrita aos municípios mais próximos, por isso não pode ser considerada uma análise equivalente a todo o Estado.
Acho que a palavra que mais se aplica à estas eleições é MUDANÇA. Sim, pois tanto em Garibaldi, como em Carlos Barbosa e Bento Gonçalves, os partidos de oposição venceram, e com boa margem de vantagem (no caso de Garibaldi, se somarmos os votos de Cirano e Mânica, considerados “oposição”).
O resultado de Bento Gonçalves foi um dos mais surpreendentes das últimas eleições. Pela primeira vez na história do município, o PT chega ao poder. E com méritos: afinal, Roberto Lunelli fez mais de 60% dos votos, num resultado histórico, tanto para os vitoriosos como para os derrotados. Afinal, Lunelli quebra um ciclo que vinha desde Darci Pozza, eleito e reeleito em 1996 e 2000, e que fez seu sucessor, Alcindo Gabrielli, em 2004. Já comentava-se nos bastidores políticos e nos botecos de esquina que a chance do PT vencer era boa, mas muitos relutavam em acreditar, principalmente devido à grande coligação feita por Gabrielli, e pela pouca representatividade do Partido dos Trabalhadores neste município. Enfim, vamos ver como será a gestão petista em BÉnto SacremÉnto.
Carlos Barbosa também elegeu uma oposição, mas que há quatro anos atrás era situação. Em 2004, Irani Chies derrubou o então prefeito Fernando Xavier da Silva. Desta vez, Xavier deu o troco. E possivelmente, em 2012 teremos os mesmos dois nomes concorrendo à Prefeitura barbosense. Verificamos também muitos nomes conhecidos elegendo-se para vereador, mantendo velhos “dinossauros” no poder. Renovação é uma palavra pouco presente na política barbosense, apesar de algumas exceções à regra.
Falemos agora de Garibaldi, então. Em julho, quando foi dada a largada à corrida pela Prefeitura, poucos não apostavam em uma vitória de Paulo Salvi. Mais do que isso, poucos apostavam que no dia 5 de outubro o vitorioso seria Cirano Cisilotto. Não quero aqui discutir a campanha e as idéias de cada um, pois tenho amigos de ambas as correntes e não é meu objetivo provocar atritos. Mas fica claro o recado da população garibaldense nestas eleições: o sentimento da mudança foi muito forte, principalmente entre as classes populares, as quais viram no petista a possibilidade de arrancar certas “mini-oligarquias” que já se enraizavam no poder. Resta saber agora como será feito este governo, em termos de costuras políticas. Afinal, só de boas idéias não se vive, infelizmente.
Deixarão certa estrela de cor vermelha brilhar?

4 de out de 2008

Corrige ou confirma?

Você pode refletir muito ou simplesmente escolher qualquer um;
você pode analisar as propostas ou ver qual é o mais bonito;
você pode tirar dez minutos para ler as propostas de governo ou tomar uma cerveja;
você pode analisar quem tem compromissos com a população ou quem quer alcançar o “status” de prefeito e vereador;
você pode escolher pelo melhor plano de governo ou pela melhor musiquinha;
você pode ver quem fez a campanha mais centrada em propostas ou quem criou um slogan para seu próprio nome;
você pode escolher quem discursou ou quem parodiou a Ivete Sangalo;
você pode escolher quem te ouviu e te deu liberdade ou quem aliciou os estudantes;
você pode optar por quem tem o melhor passado ou a melhor gravata;
você pode analisar quem tem ideologia ou quem tem ambição;
você pode ver quem esteve no povo ou quem esteve na mídia;
você pode votar pelo povo ou pela elite;
você pode votar por todos ou por um grupo;
você pode escolher as melhores propostas ou a maior cesta básica;
você pode ter idéias ou vende-las por vinte litros de gasolina;
você pode usufruir por um direito que a geração de seus pais sempre sonhou em ter ou simplesmente votar nulo;

Mas, acima de tudo...

Você pode!