30 de dez de 2008

O futuro já começou, bem dizia Roberto Marinho e seus amigos militares

Israel continua bombardeando a Faixa de Gaza, testando inclusive novas armas, as quais estão proibidas pela Convenção de Genebra. Estas armas provocam ferimentos internos profundos e geralmente resultam em amputação ou mesmo na morte do paciente.

A Universidade Islâmica de Gaza foi totalmente destruída pelos bombardeios israelenses, incluindo a Biblioteca Islâmica, com 130 mil livros. A instituição, com mais de 30 anos, virou ruínas em segundos.

A Câmara de Vereadores de Porto Alegre, escondida no dia 29 de dezembro, aprovou os dois projetos de construção e reforma dos estádios da dupla Gre-Nal, ignorando por completo o Plano Diretor da cidade e todas as normas de construção de prédios nas áreas em questão. Agora, as obras, construídas por empresas PRIVADAS, poderão ser executadas sem prejudicar os lucros das empreiteiras

Hoje em dia, assassinato por tráfico de drogas virou um fato tão banal que não ganha mais nem uma nota miúda num canto esquerdo das páginas dos jornais.

O aquecimento global aumenta dia após dia.

Yeda Crusius segue firme com o projeto de sucatear a educação gaúcha. Mas tudo bem, o que importa é que ela está diminuindo o déficit.


Faça sua parte: vista branco, coma lentilhas e pule sete ondas.

E Feliz 2009.

29 de dez de 2008

As andorinhas (e os posts) voltaram

Oi, tudo bem? Lembram de mim?

Sim, eu devo desculpas. Afinal, foram mais de 30 dias sem uma mísera postagem, uma total falta de respeito aos MILHARES de leitores que esse blog conseguiu em menos de quatro meses.
Mas sabe como é. Por enquanto (eu disse por enquanto) ainda não sou sustentado por esse blog, e, portanto, preciso trabalhar para ter direito aos LUXOS DA VIDA, como uma Heineken, uma Havaianas nova e um sanduíche de presunto. E o trabalho me consumiu (ui) por inteiro nesse último mês.
Aliás, muita coisa aconteceu desde o longínquo 25 de novembro até hoje. Para reforçar a tese de que estou ficando velho, já sou um cara formado, e além disso já organizei um Natal Borbulhante de lá para cá. Mas sobrevivi, e cá estamos nós, prontos para outra.

Redação de Papos Chatos no último mês de dezembro

Eu não podia apenas postar assim, sem mais nem menos. Era preciso fazer algo para marcar essa volta TRIUNFAL à vida blogueira. Por isso, resolvi mudar a cara do blog. Acho que essa nova versão ficou mais a cara da proposta de Papos Chatos, que é oferecer um espaço para discussão das chatices da vida cotidiana.
Além disso, a idpeia, com o passar do tempo, é incrementar o blog com pesquisas, links de outros blogs e sites, além de postagens bem mais freqüentes, não apenas de textos, mas de charges, links, notícias, enfim.
E para que tudo isso dê certo, preciso da força de vocês, nobres comentaristas, que quase pegaram em armas exigindo a volta das postagens. Comentem, discutam, opinem, mandem textos. Só assim poderemos ficar, cada vez mais, um bando de chatos.

Ah sim! Logo aí de baixo já tem post novo!


21:58, 29 de dezembro de 2008

Estava eu muito tranquilo na última sexta-feira à noite, no auge da vida sedentária (comendo os chocolates do Natal e bebendo a bebida do SISTEMA), atirado no sofá e (glup) assistindo a Retrospectiva 2008 da Globo quando o apresentador Sérgio Chapelin anuncia: “E agora vamos ver qual foi o acontecimento que os leitores e internautas escolheram como O FATO DO ANO.
Pense aí: para você, qual foi o fato do ano?

a) Barack “We Can” Obama?
b) O crash do capitalismo americano?
c) A tragédia em Santa Catarina?
d) O tufão em Mianmar que matou mais de 30 mil pessoas?
e) O terremoto na China que matou 80 mil?
f) O recorde de aprovação do governo Lula?

Pois para os leitores e internautas do site G1 (alguém vê alguma mensagem subliminar no nome do site de notícias da Globo?), nenhum dos seis fatos acima foi o fato do ano.
Para eles, o fato do ano foi O CASO ISABELA.
É, eu sei. Bem feito pra mim. É nisso que dá querer trocar o recém adquirido livro do Luis Fernando Veríssimo por alguma horas de sedentarismo.

25 de nov de 2008

Fazendo amigos e influenciando pessoas

Fazem seis anos já. Corria o longínquo 2002. Garibaldi mal havia começado a receber asfalto no centro, Obama era apenas mais um negro dos EUA e eu ainda acreditava que jamais o Inter seria campeão mundial. Pois bem. Foi no distante 2002, mas eu me lembro como se fosse hoje.
Eu era apenas um estudante do ensino médio a alguns meses da formatura, e estava prestes a começar apenas mais uma aula. Mas era véspera de eleição presidencial. E, na aula de literatura, a professora passou TODO o período tentando nos convencer a votar em José Serra (PSDB) e a humilhar Lula (PT). Lembrando, para quem não sabe, que as aulas tinham (e ainda tem) a duração de duas horas, e não de meros 50 minutos. Pois foram duas horas de argumentos do tipo: “Como votar em alguém que nunca trabalhou?”, “Como votar em um cara semi-analfabeto”, “Como votar em um cara que tem nove dedos”, entre outras. Percebi muitos de meus colegas transformados por aquele discurso, os quais saíram daquela aula nutrindo um ódio mortal pelo PT. Eu não caí na conversa, mas me mantive na minha, afinal não passava de mais um alienado estudante secundarista. Fosse hoje, e não sei o que faria com aquela professora. Não sei.
Digo isso para mostrar nossa situação como professor. Vida dura, essa. Ao mesmo tempo em que temos que fazer com que os alunos pensem com suas próprias cabeças, também é dever deixá-los tomar a decisão que acharem melhor. Eu poderia muito bem, nestes meus dois meses de estágio no ensino médio, ter discursado para que meus alunos votassem no PT nas últimas eleições municipais. Mas não poderia fazer isso. Seria injusto com eles, seria injusto com todos. É dever do professor apenas apresentar os meios (e os fins) para que eles pensem com suas próprias cabeças, e não influenciá-los diretamente. Meus alunos perceberam o quanto não gosto da Rede Globo, mas o que passei a eles foi a oportunidade de saber raciocinar e analisar as informações transmitidas pela tv do Marinho. E foi assim que terminei meu estágio, com a esperança de ter desatado alguns nós no cérebro daquela gurizada para liberar as correntes de pensamento.
Quanto àquela professora, bem, ela ainda continua dando aulas por aí. Espero não encontrá-la em alguma sala dos professores num futuro próximo. Mas, se isso acontecer, terei o maior prazer em vestir vermelho.

20 de nov de 2008

Peso na Consciência

Eles foram maltratados, humilhados e achincalhados como animais por cerca de quatro séculos.
Ganharam a liberdade, mas não a cidadania.
Estavam livres, mas não tinham para onde ir.
Hoje, são sinônimos de favela, pobreza, pedintes, criminosos, assaltantes e bandidos.
No Rio Grande do Sul, sofreram com a “limpeza social” promovida no século XIX durante a “Revolução” Farroupilha.
No Brasil, sempre que um deles é preso, tem sua imagem explorada pela mídia.
Aliás, sobre a mídia, esta nunca os colocou em papel de destaque nas novelas, sempre como motorista ou empregada. Hoje, um deles tem papel de político; mas um político corrupto.
Hoje, 20 de novembro, são lembrados. Amanhã, 21, já estarão esquecidos.
Não é preciso escrever muito. Uma reflexão interna (e externa) surge como mais saudável no momento.

(...)

Feliz Dia da Consciência Negra.

15 de nov de 2008

Programa de domingo: ir comprar uma moto na UCS

A Universidade de Caxias do Sul inaugurou, dentro de seu campus, uma loja da Colombo e uma revenda de motos. Pronto. Só esta frase já seria suficiente para deixar subentendido o que eu quero expressar neste post. Mas vamos tentar nos aprofundar um pouco mais, afinal, amanhã é feriado (obrigado Deodoro!) e não tenho a obrigatoriedade de ouvir aquele toque bizarro do despertador.
Escrevo para questionar qual o real sentido da universidade nos dias de hoje. Não faz muito tempo, a “academia”, como os saudosistas costumam chama-la, era um local para o desenvolvimento de idéias, de ações, de discussões em torno de um mundo melhor. Não sei se isso parece saudosismo de alguém que gostaria de ter vivido há algumas décadas atrás, mas não encontro isso na universidade hoje.
Com exceção de alguns pontos isolados (o bloco da História é um deles, modéstia à parte), o que observamos na Universidade de Caxias do Sul (cito esta por ser aquela da qual participo) é um desfile de patricinhas e mauricinhos com suas bolsas chiquééérimas, seus Nike bordados a ouro e suas camisetas da Cavalera. Ok, estou sendo um pouco radical sim. Boa parte dos que estudam lá à noite são pessoas que trabalham durante o dia e ocupam o “terceiro turno” para estudar, ma o questionamento que faço é a alienação que impera sobre essas pessoas. Tomemos como exemplo o protesto realizado há algumas semanas atrás contra o aumento das mensalidades. A grande maioria das pessoas passava pela concentração, fingia que não era com elas e seguia a passos apertados ou com sorrisos debochados, do tipo “ai, jamais vou pagar esse mico”. No entanto, são as primeiras a reclamar do aumento. A participação foi mínima, tomando por base o número de alunos. Onde está o espíriito de protesto, de inconformidade, de união dos universitários numa hora dessas?
Com todo respeito à turma das Exatas, mas é assustador ver o nível de alienação das maioria dos alunos. A universidade deixou de ser um centro pensante para não ser mais do que uma escola técnica, reprodutora de idéias da grande mídia para a grande massa.
Ah, claro que existem as exceções, e os leitores deste blog fazem parte delas. Mas vocês, meus amigos, como acabei de dizer, são exceções. Minha preocupação é com a grande maioria dos universitários, que acham perfeitamente normal a Colombo inaugurar uma loja bem no meio do centro de convivência e uma revenda de motos perto da biblioteca. Junte-se a isso a monopolização do sistema bancário (Santander exigiu exclusividade), uma biblioteca com catracas (passe o cartão, por favor), a extinção da venda de cervejas (esta sim a tragédia do século), e temos o verdadeiro retrato do que é uma universidade nos dias de hoje: consumista, capitalista, ditatorial e alienante.
Preocupante? É, talvez. Mais preocupante ainda é pensar que a “nova geração” – alô idade, um abraço – que vem entrando nas universidades chega mais alienada ainda, e tem como maior preocupação pedir dinheiro para o pai pra poder comprar aquela máquina digital que viram na vitrine da Colombo...

5 de nov de 2008

Apenas mais um texto sobre Barack Obama

Apesar de não ser muito adepto do positivismo, sou obrigado a admitir que certos dias ficam para a história. 04 de novembro de 2008 é um deles. A data de ontem ficará marcada como a que tornou pela primeira vez na história um negro como a pessoa mais poderosa do mundo.
Não sei se Luther Kink e Malconm X imaginavam que um negro iria atingir a presidência dos Estados Unidos, ao menos não tão “cedo” assim, apenas algumas décadas depois deles terem sido assassinados. Aliás, sobre isto, sabemos que os americanos são especialistas em assassinatos de presidentes (não apenas de presidentes), e há quem aposte num desfecho trágico para o quase conto de fadas chamado Barack Obama.
E eu, que não sou o maior fã do idioma inglês, acabei aprendendo mais uma palavra, de tanto ver e ler sobre o assunto: Change. Mudança foi a palavra que guiou a campanha do jovem Obama, e mudança é o que guiou os americanos às urnas nesta terça-feira.

Não sei não...
Até que ponto a eleição de ontem pode realmente significar mudança? Pois sabemos que os EUA continuarão capitalistas, continuarão imperialistas, continuarão explorando as riquezas dos outros países e impondo barreiras comercias. Ou não? Será que Obama realmente vai provocar uma reviravolta no planeta? Acho difícil uma grande mudança, apesar de os EUA estarem claramente num declínio, normal quando os impérios atingem seu auge. A crise econômica também poderá guiar a política estadunidense, afinal, o presidente deverá sofrer pressões incríveis dos bilionários americanos.

Ohhhhhhhh

Enfim, vamos ficar na expectativa e ver o que acontece. Ainda quero ter mais fatos para poder construir uma real imagem de mudança em cima do “pop” Obama. No entanto, já fico muito feliz de saber que não verei mais aquela inominável pessoa chamada George War Bush com a imagem da Casa Branca ao fundo. Melhor que ele se especialize em contar histórias de ovelhinhas para crianças do primário.

29 de out de 2008

Se eleito for...

Sabe quando você abre aquela caixa de bombons só pra beliscar um deles, de sobremesa, aí come outro, e mais outro, e quando percebe, comeu a caixa inteira?
Com a política parece acontecer o mesmo. As baterias das urnas eletrônicas nem esfriaram, e todos os políticos já pensam nas próximas eleições, daqui a DOIS ANOS, em 2010.
No dia seguinte às vitórias (e derrotas) eleitorais, caciques políticos já davam entrevistas declarando abertamente que estão traçando o planejamento de 2010. Ou seja, pelos próximos dois anos, tudo estará sendo feito com um único objetivo: movimentar a máquina pública para conquistar os estados e o país. E a população, onde fica? À mercê de homens com um único objetivo: ganhar seu voto?
Por isso é que é preciso repensar os políticos e as eleições de um modo mais amplo. Já falou-se na possibilidade de realizar todas as eleições, de presidente a vereador, em um único ano. Desta forma, pelo menos, evitaríamos casos ridículos como de prefeito que renunciam em dois anos para poder concorrer a governador, ou de vereador que concorre a deputado, etc. De qualquer forma, estas super-eleições provocariam um inchamento de propostas, idéias (e verbas) que poderiam confundir ainda mais o eleitor, sem falar na dificuldade de fiscalização por parte do TSE.
De qualquer forma, fica a pergunta, que eu gostaria que os amigos respondessem nos comentários: para que serve, afinal, a política?
O texto hoje é curto, mas é por causa do temporal que se aproxima rapidamente. Tão rápido quanto a mudança nas características dos candidatos antes e depois das eleições.

23 de out de 2008

Jornais, microfones e parasitas

A imprensa é uma espécie de parasita. Está sempre à espera de um feito com características que possam alavancar sua audiência para então explora-lo ao extremo, em todos os seus ângulos, até quando a população não demonstrar mais interesse pelo assunto. A partir daí, vai-se em busca de algum outro fato, e o ciclo se repete.
Foi assim com o caso da menina Isabela, aquela jogada do sexto andar, está sendo agora com o caso da garota Eloá, morta pelo ex-namorado em um seqüestro que durou diversos dias e teve ares de Big Brother.
É incrível a capacidade que certos veículos tem em usar a dor alheia para buscar alguns pontos de audiência ou vender alguns jornais a mais. Desde que o namorado de Eloá invadiu a casa, até o trágico desfecho, foram dezenas de horas com centenas de repórteres acampados em frente ao edifício, mostrando a situação de todos os ângulos, explorando a dor de familiares, vizinhos, amigos, expondo as fotos da garota no orkut, enfim.
Seguramente, se a imprensa não tivesse explorado a situação da maneira que explorou, o desfecho poderia ter sido diferente. Mas se está dando audiência, então vamos continuar explorando. E o resto, já sabemos como foi acabar.
Com a pobre da menina Isabela, então, nem se fala. Eu chegava a sentir náuseas toda vez que a imprensa falava sobre a pobre da garota. Hoje, fala-se ainda? Não. Hoje, o Caso Isabela não é mais pop.
Quantos crimes não acontecem TODOS OS DIAS nas cidades brasileiras e não passam de uma mera nota de jornal? Quantas barbáries são executadas nas favelas deste país, e todas acontecem no anonimato? Difícil calcular. O fato é que por cerca de dez dias ainda ouviremos falar muito na pobre Eloá. Depois, bem, aí é só esperar um novo hospedeiro para o parasita.

19 de out de 2008

Futebol, esse mistério

Nos últimos dias, o lado azul do Rio Grande do Sul quase pegou em armas por causa do julgamento do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) que puniu três jogadores do Grêmio de forma arbitrária e injusta. HORDAS de torcedores levantaram-se para gritar em alto e bom som a “vergonha que era aquilo”, rádios, passaram a tratar apenas daquele assunto, jornais manifestaram seu repúdio, o orkut abarrotou-se de fóruns destinados apenas a chamar de MERETRIZ a mãe do presidente do STJD, enfim. Até, pasmem, o lado vermelho da força solidarizou-se aos arqui-rivais para pregar um levante contra a “força que vinha do eixo do mal”.
Enquanto isso, deputados usufruem de nosso dinheiro trabalhando algumas poucas vezes ao mês, contratando dezenas de apadrinhados, gozando do “recesso branco” por três meses. Ah, mas isso não importa. O importante mesmo é saber quantos jogos aquele uruguaio de 1,96m vai pegar de suspensão.
Confesso que não consigo e não tenho nem pistas para desvendar esse mistério que é o futebol no Brasil. Incrível como um esporte que não irá agregar nada à vida do cidadão possa cativar e enfeitiçar tantas pessoas (inclusive o dono deste blog). Sei que aqui estou lidando com muitas leitoras que não ligam muito para o futebol, mas vocês, minhas amigas, são raríssimas exceções. O futebol cativa desde Chico Buarque até aquele mendigo esquecido pela sociedade embaixo de um viaduto qualquer.

Dia de trabalho no congresso...


... e no Maracanã

A teoria mais aceita é a do Pão e Circo. Entretenimento barato (nem tanto) para o povo, esquecendo assim dos problemas que lhe afetam. Junte a isso a construção da imagem de um povo que está sempre alegre (exceto no dia seguinte à derrota de seu time na final de um campeonato), e pronto! Podemos construir e desconstruir todos os problemas que quisermos, pois o mais importante sempre será saber por que o Dunga põe o Josué de titular.
Claro que há também o apelo comercial, afinal hoje o futebol é um negócio bilionário, que movimento o mercado oficial e principalmente o não-oficial. Fazer um jogo de futebol movimenta toda uma estrutura que muitas vezes passa despercebida por nossos olhos.

Brasileiras preocupadas com o nível dos debates no Congresso
Mais despercebida ainda passa a estrutura de Brasília. Contratações, projetos, funcionários-fantasmas, enfim. São muitas as coisas que acontecem e o povo não percebe, ou não quer perceber. Quão melhor seria nosso país se o povo brasileiro ficasse tão zangado com nossos deputados como fica com nossos zagueiros. Para estes, perdemos horas e horas discutindo o que fazer, o posicionamento correto, se devem ser dois ou três, etc. Para falar sobre os deputados, mais simples usar a frase: “é tudo igual”.
Pão e Circo pode ser uma boa teoria, mas não sei. Acho que há mais coisas entre o futebol e os brasileiros do que sonha a nossa vã filosofia. Mas não cabe a mim tentar decifrar tudo isso. Fico satisfeito em procurar me manter informado sobre as coisas que acontecem no Planalto Central e repassa-las a meus alunos, a fim de que eles possam desenvolver o senso crítico mais apurado possível. Além, é claro, de guardar o dinheiro da cerveja para assistir Portuguesa x Grêmio amanhã.

10 de out de 2008

Justiça, cega?

O post de hoje não é uma crônica, não é um texto criado por mim. É apenas uma notícia, um retrato do Brasil.


STF reconduz promotor acusado de matar jovem ao MP

Thales Ferri Schoedl voltou, pela quarta vez, a ser promotor de Justiça. Esta última reintegração de Schoedl ao cargo se deu por meio de uma liminar concedida na quinta-feira pelo ministro Carlos Alberto Menezes Direito, do Supremo Tribunal Federal (STF), e divulgada ontem. Schoedl volta, assim, a receber salário de R$ 18.009,75, a ter direito a foro privilegiado - e, como continua com o exercício das funções suspenso, terá tudo isso sem precisar trabalhar. O entendimento do ministro ainda será submetido aos integrantes da 1ª Turma do STF.
O promotor é acusado de matar Diego Mendes Modanez, de 20 anos, e de ferir Felipe Siqueira Cunha de Souza, de 21, na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, em 30 de dezembro de 2004, após uma discussão por ciúmes.
O ministro entendeu que o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) não tem competência para cassar a vitaliciedade de um promotor, como fez em agosto. A cassação gerou a exoneração de Schoedl pelo procurador-geral de Justiça de São Paulo, Fernando Grella, publicada no Diário Oficial do Estado de 19 de agosto. Segundo Direito, "não consta a atribuição de competência ao Conselho Nacional do Ministério Público para determinar a exoneração de membro do Ministério Público".
O advogado que representa as famílias das vítimas, Pedro Lazarini Neto, disse que vai recorrer. "Enquanto houver esse conselho, criado constitucionalmente para evitar os excessos ocorridos dentro dos órgãos, seria sensato que o STF reconhecesse a validade de suas decisões", afirmou. "Se o conselho não tiver competência para isso, então que seja extinto", alfinetou. Na opinião do advogado, a liminar mostra que, como disse Martin Luther King, "todos são iguais perante a lei, mas uns são mais iguais que os outros".
A decisão foi comemorada pela defesa de Schoedl. "Estamos satisfeitos com o cumprimento das leis e da Constituição. O CNMP não tem competência para fazer o que fez", afirmou o advogado Luís Felipe Marzagão. Assim que tiver conhecimento oficial do despacho, Marzagão pretende comunicar o Tribunal de Justiça de São Paulo, onde corre o processo criminal que Schoedl responde por duplo homicídio - um consumado e um tentado. A idéia é que ele seja julgado o quanto antes. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


A fonte é o http://br.noticias.yahoo.com/s/08102008/25/manchetes-stf-reconduz-promotor-acusado-matar-jovem-mp.html

Vamos refletir.

8 de out de 2008

Sobre vinhos, queijos e estrelas

Ânimos acalmados, festa realizada, esperanças renovadas (ou não), é hora de vermos as lições que podemos tirar destas eleições municipais. Minha análise vai ficar restrita aos municípios mais próximos, por isso não pode ser considerada uma análise equivalente a todo o Estado.
Acho que a palavra que mais se aplica à estas eleições é MUDANÇA. Sim, pois tanto em Garibaldi, como em Carlos Barbosa e Bento Gonçalves, os partidos de oposição venceram, e com boa margem de vantagem (no caso de Garibaldi, se somarmos os votos de Cirano e Mânica, considerados “oposição”).
O resultado de Bento Gonçalves foi um dos mais surpreendentes das últimas eleições. Pela primeira vez na história do município, o PT chega ao poder. E com méritos: afinal, Roberto Lunelli fez mais de 60% dos votos, num resultado histórico, tanto para os vitoriosos como para os derrotados. Afinal, Lunelli quebra um ciclo que vinha desde Darci Pozza, eleito e reeleito em 1996 e 2000, e que fez seu sucessor, Alcindo Gabrielli, em 2004. Já comentava-se nos bastidores políticos e nos botecos de esquina que a chance do PT vencer era boa, mas muitos relutavam em acreditar, principalmente devido à grande coligação feita por Gabrielli, e pela pouca representatividade do Partido dos Trabalhadores neste município. Enfim, vamos ver como será a gestão petista em BÉnto SacremÉnto.
Carlos Barbosa também elegeu uma oposição, mas que há quatro anos atrás era situação. Em 2004, Irani Chies derrubou o então prefeito Fernando Xavier da Silva. Desta vez, Xavier deu o troco. E possivelmente, em 2012 teremos os mesmos dois nomes concorrendo à Prefeitura barbosense. Verificamos também muitos nomes conhecidos elegendo-se para vereador, mantendo velhos “dinossauros” no poder. Renovação é uma palavra pouco presente na política barbosense, apesar de algumas exceções à regra.
Falemos agora de Garibaldi, então. Em julho, quando foi dada a largada à corrida pela Prefeitura, poucos não apostavam em uma vitória de Paulo Salvi. Mais do que isso, poucos apostavam que no dia 5 de outubro o vitorioso seria Cirano Cisilotto. Não quero aqui discutir a campanha e as idéias de cada um, pois tenho amigos de ambas as correntes e não é meu objetivo provocar atritos. Mas fica claro o recado da população garibaldense nestas eleições: o sentimento da mudança foi muito forte, principalmente entre as classes populares, as quais viram no petista a possibilidade de arrancar certas “mini-oligarquias” que já se enraizavam no poder. Resta saber agora como será feito este governo, em termos de costuras políticas. Afinal, só de boas idéias não se vive, infelizmente.
Deixarão certa estrela de cor vermelha brilhar?

4 de out de 2008

Corrige ou confirma?

Você pode refletir muito ou simplesmente escolher qualquer um;
você pode analisar as propostas ou ver qual é o mais bonito;
você pode tirar dez minutos para ler as propostas de governo ou tomar uma cerveja;
você pode analisar quem tem compromissos com a população ou quem quer alcançar o “status” de prefeito e vereador;
você pode escolher pelo melhor plano de governo ou pela melhor musiquinha;
você pode ver quem fez a campanha mais centrada em propostas ou quem criou um slogan para seu próprio nome;
você pode escolher quem discursou ou quem parodiou a Ivete Sangalo;
você pode escolher quem te ouviu e te deu liberdade ou quem aliciou os estudantes;
você pode optar por quem tem o melhor passado ou a melhor gravata;
você pode analisar quem tem ideologia ou quem tem ambição;
você pode ver quem esteve no povo ou quem esteve na mídia;
você pode votar pelo povo ou pela elite;
você pode votar por todos ou por um grupo;
você pode escolher as melhores propostas ou a maior cesta básica;
você pode ter idéias ou vende-las por vinte litros de gasolina;
você pode usufruir por um direito que a geração de seus pais sempre sonhou em ter ou simplesmente votar nulo;

Mas, acima de tudo...

Você pode!

30 de set de 2008

Muros, algemas e coisas do gênero

Eu trabalhei por mais de quatro anos na imprensa, dei uma pausa nesse ano, mas em 2009 voltarei a trabalhar com comunicação, e posso confirmar para vocês: a imprensa é muito podre.
Esse post soa como o óbvio ululante, algo que todos nós falamos, mas eu preciso repetir: incrível o poder que a mídia tem para distorcer ou colocar as informações da maneira que melhor lhe convêm.
Vamos falar apenas de dois exemplos: primeiramente, a questão do Muro da UFGRS, citado no post anterior. Li a matéria sobre o assunto na Zero Hora (logo onde, puts), e na matéria sempre era citado o fato de que o muro era propriedade pública. Ou seja, trazia-se à tona uma discussão, mas sempre com a “informação adicional” incluída, de maneira a colocar, de forma intrínseca na cabeça das pessoas, a opinião do veículo. O mesmo se lê no site da RBS e em outros veículos do grupo.
O segundo exemplo é o do já esquecido (esquecido? Por que será?) Caso Daniel Dantas, o banqueiro que tem poderes maiores do que Deus no Brasil e fraudou milhões dos cofres públicos. Nos tempos em que a notícia bombava (depois enjoou, sabe?), muitos veículos como o Jornal Nacional, Jornal da Globo e Jornal da Noite, este ancorado pelo “direitão” Boris Casoy, deram espaço à discussão se a Polícia Federal deveria ou não usar algemas na prisão dos suspeitos (sic). Ora, eles fraudam milhões de nossos cofres, enganam o povo por muitos anos, e querem que eles sejam tratados de que forma? Com champanhe? (pensando bem, é bem provável que eles tenham recebido champanhe francês na cadeia). Boris Casoy gastou preciosos minutos de seu telejornal discutindo à questão, citando, inclusive, que os suspeitos teriam sido tratados de forma violenta. No Senado, o senador Artur Virgílio, do (tcharam!!) PSDB, condenou a atitude da Polícia Federal, que teria usado “de muita força para com estes inofensivos homens”. Ah, eles desviaram milhões? Bom, isso é um mero detalhe que não deve importar muito ao NOBRE parlamentar...

"Ai, minhas lindas e delicadas mãos"

Enfim, o que eu queria dizer é isto: é muito fácil desviar o foco de uma notícia, e muitas vezes (ou na maioria) a maioria da população nem chega a perceber isto. Porém, percebem com extrema facilidade mudanças no caráter da personagem da novela.
Ah sim: agora, fiquem à vontade para me xingar por eu perder tempo lendo Zero Hora ou assistindo Jornal Nacional, Jornal da Globo e Boris Casoy.

Eu mereço.

27 de set de 2008

O muro das lamentações

Completamente envergonhado por não postar a três dias, estou aqui raciocinando sobre o que eu poderia falar neste breve espaço de quinze minutos que tenho. Pois bem: falemos de um papo muito chato: um muro.
Vocês devem estar sabendo da história do muro da UFRGS, não é mesmo?
Bom, para quem não sabe, aí vai um resumão: uma estudante de Letras da UFRGS pintou um muro em frente ao Departamento com a frase: “Para que(m) serve o teu conhecimento? Aí um estudante de Ciências Contábeis entrou com um processo na justiça, alegando que aquilo significava dano ao patrimônio público. Dias depois, a pintura foi “estragada” por diversos estudantes que jogaram tinta por cima da frase. A polêmica se espalhou, há um movimento a favor da pintura quer o estudante que entrou com o processo promete levar o caso até a Justiça Federal.

Onde vamos parar? Por que este bendito questionamento em torno de uma pintura? Qual o problema em pintarmos essa frase? Será que os estudantes não querem que as pessoas pensem? Qual é, então, o papel de uma universidade.

Mais ridículo que este processo é a mídia “coronelista” sempre referindo-se ao muro como “patrimônio público” ou “pintou sem autorização”. Só aí, já percebemos de que lado ELES estão, não é mesmo?




O muro, antes do verdadeiro vandalismo.

O assunto merece ser mais aprofundado, mas deixo isso para as discussões nos comentários. Estou no aguardo.
Ah, agradecimentos especiais à Elisa, por me mandar o panfleto referente à situação...

Aqui, um blog sobre o assunto: http://www.muralharubronegrabrasil.blogspot.com/

Para que(m) serve este blog?

24 de set de 2008

"E se a gente desse a ele o nome do Papa?"

Pois é...

Você percebe que está começando a ficar velho quando...

... não encontra mais o dígito 1 no seu bolo de aniversário;
... percebe que não tem mais vergonha em sair de casa com o guarda-chuva;
... sempre leva um casaco na sua mochila (precaução né... vai que dá uma friagem...);
... se dá conta que todos os jogadores que você viu na Copa de 94 (para você, a melhor Copa de todas) já se aposentaram;
... não vê mais graça nos Ursinhos Carinhosos;
... se estressa quando vê um episódio repetido do Pica-Pau;
... faz “amizade” com pessoas que nasceram quando você já ia pra escola;
... sente saudades de Mirinda e Lollo;
... acha nojento o cheiro de Cheetos Bola;
... começa a colocar durex nas suas revistas preferidas;
... olha para o relógio logo depois que termina o show no Joe;
... diz que tênis bom mesmo era o Le Cheval;
... usa expressões como “no meu tempo” ou “quando eu ia para o colégio”;
... começa a organizar sua festa de formatura da faculdade;
... diz que não surgiu nenhuma novidade na música depois dos anos 80;
... de vez em quando mexe nas suas fitas K-7;
... diz que filme de comédia bom mesmo era Loucademia de Polícia;
... já viu pelo menos cinco vezes cada um dos filmes que passa na Sessão da Tarde;
... diz com orgulho: “bá, lembro daquela noite que o Grêmio foi bi-campeão da América”;

e principalmente:

... quando se dá conta que a Sandy, a Mariquinha que não queria abrir a porta...

... está CASADA!!!

20 de set de 2008

Sirvam nossos mitos de modelo a toda terra

No dia em que a nossa mídia exalta as “façanhas” dos farroupilhas no século XIX, não podia deixar esta data passar em branco sem escrever algo por aqui. Não quero causar polêmica, mas o fato é que não gosto da Semana Farroupilha. Ao menos, não da forma como ela é explorada.
Um fato: o Movimento Tradicionalista é um verdadeiro negócio. Aqui entre nós, será que podemos chamar de “culto às tradições” as 500 regras que existem para se “pilchar” ou se comportar num CTG? Será que aquilo que temos de vestir categoricamente no Movimento Tradicionalista realmente é o que representa a nossa tradição? Ou tudo não passa de uma simples construção de uma imagem, de um mito? Afinal, como todos devem saber (e a própria mídia apresenta), os CTGs surgiram por volta da década de 40 do século passado, ou seja, foram sendo construídos aos poucos, ao bel prazer de seus idealizadores, que idealizaram e construíram uma imagem do gaúcho como nenhum estado conseguiu fazer.
Não sou contra CTGs, mas por favor, não me venham dizer que aquilo é história. Vamos ver alguns fatos.
Comecemos pelo próprio nome: “Revolução Farroupilha”. Qual o conceito de Revolução? Segundo o Dicionário, Revolução significa uma mudança brusca, violenta e profunda na estrutura de uma sociedade, seja em âmbito político, social e econômico. E quais foram as mudanças radicais que observamos na sociedade do Rio Grande pós Guerra dos Farrapos? Nenhuma, até porque a idéia não era provocar mudanças, mas sim conseguir benefícios em prol da elite de estancieiros gaúchos, os verdadeiros provocadores da batalha, e não “o povo gaúcho”, como diz a mídia. Apenas uma pequena parcela da população estava envolvida com o combate. Cai por terra também o mito do “povo peleador, louco por brigas”.
Sim, a Guerra dos Farrapos (nome estranho para um combate comandado pela elite) não passou de uma revolta das camadas mais altas da sociedade gaúcha, sendo que em nenhum momento a idéia inicial era criar um estado independente. A fundação da República Riograndense foi um fato desencadeado por diversos ocasos. O próprio Bento Gonçalves, tão idolatrado, era um monarquista conservador, passando para o “lado republicano na força” somente muito mais tarde, já com a guerra em andamento.
Idolatramos “heróis” como Bento, Giuseppe Garibaldi, David Canabarro (este não passava de um grande mercenário), mas JAMAIS a mídia lembra dos milhares de negros e índios que foram forçados a participar dos combates, e geralmente na linha de fogo, abrindo caminho e sofrendo a maior parte das baixas. Assim, conforme a “revolução” andava, também dava-se seqüência ao processo de limpeza étnica, eliminando negros e índios da sociedade.
Um dos ideais da “revolução” era o de Liberdade. Mas afinal, de que liberdade estamos falando? Afinal, em nenhum momento cogitou-se a libertação dos escravos, e a própria constituição da República Riograndense definia como “cidadãos” apenas os homens livres.


A mídia sempre fala dos ideais de bravura, valentia e coragem dos farroupilhas. E do Massacre de Porongos, onde milhares de negros foram dizimados numa clara demonstração de “limpeza” étnica, por que ninguém fala?
Muita gente não gosta de ler um texto desses, ainda mais em 20 de setembro. Por isso, fico por aqui. Ah, apenas para encerrar: não aconteceu nenhum movimento importante no dia 20 de setembro para que ele fosse firmado como “o precursor da liberdade”. Mas sabe como é...

“Foi o 21 de setembro, o precursor da liberdade”, não se encaixa bem no Hino.

18 de set de 2008

Para gostar de ler

E tudo mudou...

O rouge virou blush
O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss
O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma
O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib
Que virou silicone

A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento
A escova virou chapinha
"Problemas de moça" viraram TPM
Confete virou MM

A crise de nervos virou estresse
A chita virou viscose
A purpurina virou gliter
A brilhantina virou mousse
Os halteres viraram bomba
A ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental
E o fio dental virou anti-séptico bucal

Ninguém mais vê...

Ping-Pong virou Babaloo
O a-la-carte virou self-service
A tristeza, depressão
O espaguete virou Miojo pronto
A paquera virou pegação
A gafieira virou dança de salão
O que era praça virou shopping

A areia virou ringue
A caneta virou teclado
O long play virou CD
A fita de vídeo é DVD
O CD já é MP3
É um filho onde éramos seis
O álbum de fotos agora é mostrado por email
O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo
E do "não" não se tem medo
O break virou street
O samba, pagode
O carnaval de rua virou Sapucaí
O folclore brasileiro, halloween
O piano agora é teclado, também
O forró de sanfona ficou eletrônico

Fortificante não é mais Biotônico
Bicicleta virou Biz
Polícia e ladrão virou counter strike
Folhetins são novelas de TV
Fauna e flora a desaparecer

Lobato virou Paulo Coelho
Caetano virou um chato
Chico sumiu da FM e TV
Baby se converteu
RPM desapareceu
Elis ressuscitou em Maria Rita?
Gal virou fênix
Raul e Renato, Cássia e Cazuza, Lennon e Elvis,
Todos anjos
Agora só tocam lira...

A AIDS virou gripe
A bala antes encontrada agora é perdida
A violência está coisa maldita!
A maconha é calmante

O professor é agora o facilitador
As lições já não importam mais
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz...
... De tudo.

Inclusive de notar essas diferenças.

Como vocês já devem estar cansados dos lamúrios de um esquerdista sem causa, nada como Luís Fernando Veríssimo para brindar a sexta-feira que se aproxima.

16 de set de 2008

Um 11 de setembro que Machuca, há 35 anos - parte 2

Encontrei este material e resolvi compartilhar com vocês! ;)

"Seguramente, esta será a última oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas da Rádio Postales e da Rádio Corporación. Minhas palavras não têm amargura, mas decepção. Que sejam elas um castigo moral para quem traiu seu juramento: soldados do Chile, comandantes-em-chefe titulares, o almirante Merino, que se autodesignou comandante da Armada, e o senhor Mendoza, general rastejante que ainda ontem manifestara sua fidelidade e lealdade ao Governo, e que também se autodenominou diretor geral dos carabineros.
Diante destes fatos só me cabe dizer aos trabalhadores: Não vou renunciar! Colocado numa encruzilhada histórica, pagarei com minha vida a lealdade ao povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e milhares de chilenos, não poderá ser ceifada definitivamente. [Eles] têm a força, poderão nos avassalar, mas não se detém os processos sociais nem com o crime nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos.
Trabalhadores de minha Pátria: quero agradecer-lhes a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram em um homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de justiça, que empenhou sua palavra em que respeitaria a Constituição e a lei, e assim o fez.
Neste momento definitivo, o último em que eu poderei dirigir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição, que lhes ensinara o general Schneider e reafirmara o comandante Araya, vítimas do mesmo setor social que hoje estará esperando com as mãos livres, reconquistar o poder para seguir defendendo seus lucros e seus privilégios.
Dirijo-me a vocês, sobretudo à mulher simples de nossa terra, à camponesa que nos acreditou, à mãe que soube de nossa preocupação com as crianças. Dirijo-me aos profissionais da Pátria, aos profissionais patriotas que continuaram trabalhando contra a sedição auspiciada pelas associações profissionais, associações classistas que também defenderam os lucros de uma sociedade capitalista. Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e deram sua alegria e seu espírito de luta. Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, porque em nosso país o fascismo está há tempos presente; nos atentados terroristas, explodindo as pontes, cortando as vias férreas, destruindo os oleodutos e os gasodutos, frente ao silêncio daqueles que tinham a obrigação de agir. Estavam comprometidos.
A historia os julgará.
Seguramente a Rádio Magallanes será calada e o metal tranqüilo de minha voz não chegará mais a vocês. Não importa. Vocês continuarão a ouvi-la. Sempre estarei junto a vocês. Pelo menos minha lembrança será a de um homem digno que foi leal à Pátria. O povo deve defender-se, mas não se sacrificar. O povo não deve se deixar arrasar nem tranqüilizar, mas tampouco pode humilhar-se.
Trabalhadores de minha Pátria, tenho fé no Chile e seu destino. Superarão outros homens este momento cinzento e amargo em que a traição pretende impor-se. Saibam que, antes do que se pensa, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.Viva o Chile! Viva o povo! Viva os trabalhadores! Estas são minhas últimas palavras e tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a perfídia, a covardia e a traição."


(Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973)

Abaixo, o link com o vídeo do último discurso:
http://br.youtube.com/watch?v=xZeEfXjTNu4&feature=related

14 de set de 2008

La mala educación

Ahhh, a educação. O clichê mais comum entre muitos políticos: só a educação salva este país. É preciso melhorar a educação para que o país ande, etc e tal. Recentemente, o presidente Lula anunciou que boa parte dos recursos que serão gerados pela extração do petróleo na recém descoberta bacia do pré-sal serão investidos em educação. Muito bem. Agora, eu pergunto: de que forma?
É fato que o sistema educacional brasileiro está falido. Quem vê de fora credita o fracasso do sistema educacional brasileiro aos professores, muitos deles sem vontade, ou aos alunos “bando de vagabundos”, é o que dizem alguns. Concordo, em partes, no que diz respeito aos professores, mas quem trabalha e/ou convive com isso, sabe da verdade: nossa educação, da maneira que está, está fadada ao fracasso.
João Goulart pretendia fazer uma grande reforma educacional no Brasil. Obviamente, não conseguiu, derrubado pelos militares que resolveram evitar que Jango comesse criancinhas (e grandes propriedades de terra) por aí. Implantaram, assim, o ensino pragmático, com matérias como OSBP e Educação Moral e Cívica, onde as pessoas aprendiam o que significava o brasão brasileiro e a posição de cada estrela na bandeira do Brasil.
Vinte anos com vendas nos olhos fizeram mal à educação brasileira. Hoje, o que vemos é um ensino arcaico, retrógrado e que não ensina nossos alunos a pensar. Damos mais valor à descoberta de como resolver uma equação de quarta potência do que saber o que é Esquerda e o que é Direita. Uma das alunas a quem darei aula a partir dessa semana contou-me que a sua professora de geografia foi repreendida pela vice-diretora quando tentou implantar com os alunos um trabalho de pesquisa sobre os diferentes partidos políticos existentes no Brasil. Segundo a vice-diretora, “isso é apenas matação de tempo”, “isso não acrescenta nada à matéria”, entre outras frases. Esta mesma aluna contou-me que as aulas de Sociologia não passam de meras aulas de religião. Conceitos como Socialismo/Capitalismo, Marxismo/Positivismo nunca foram vistos por eles. “Tô me formando no Ensino Médio e não sei o que faz um senador”, disse a aluna.

Qualquer semelhança com o que vimos na Semana da Pátria 2008 não é mera coincidência

De nada adianta investirmos milhões em classes novas, em livros didáticos, se nossos professores não sabem usa-los e se o sistema educacional do Brasil continuar desta maneira, um zumbi vagando pelas paredes e carteiras deste Brasil.
Que se reforme a educação, que se reformem os professores, que se reformem as universidades. Do contrário, continuaremos a formar apenas jovens alienados, jogadores de Playstation e espectadores de novelas. Tudo com um amargo gosto de sal com petróleo.


12 de set de 2008

Um 11 de setembro que Machuca, há 35 anos

Não podia deixar este dia acabar (provavelmente será postado depois da meia-noite, mas tudo bem) sem postar algo sobre 11 de setembro, esta data tão especial para a história. E não, não estou falando de 11 de setembro de 2001. Quis o destino que o atentado aos EUA acontecesse justamente num dia que já era histórico, mas desde 2001 este fato ficou em segundo plano quando o calendário assinala 11 de setembro.
Há 35 anos, forças militares chilenas lideradas pelo general Augusto Pinochet bombardearam e invadiram o palácio presidencial de La Moneda, em Santiago, deflagrando o golpe militar que culminaria em uma das mais sangrentas ditaduras já impostas nos tempos modernos.
O caso chileno é único, é especial, no meio de tantas ditaduras que se implantaram na América Latina nas décadas de 60 e 70. E essa especificidade se refere a um homem: Salvador Allende.
Depois de ter sido derrotado nas eleições presidenciais de 1964, Allende saiu-se vitorioso no pleito de 1970. Parecia ser o início de uma sonhada mudança na história política do planeta. Pela primeira vez na história, um presidente socialista, marxista, chegava ao poder através do voto, eleito democraticamente pelo seu povo. Allende foi o primeiro, foi único. Estava surgindo, como ele dizia, a revolução através da democracia.
Suas idéias previam mudanças radicais, contestações do poder de cima para baixo. Reforma agrária, distribuição de renda, nacionalização e tantas palavras que soavam mal aos ouvidos capitalistas começaram a ser pronunciadas e faziam parte dos projetos de Allende.

Tenía un sueño.
Obviamente, isso não agradou nem um pouco a quem estava enraizado no poder e a quem detinha o capital. A nacionalização das reservas de cobre foi o estopim da fúria dos EUA, que deram início a um plano para derrubar o presidente chileno. A elite auxiliou, através de protestos, medidas para frear a economia, boicotes, etc. Pensando que Pinochet fosse um grande aliado, Allende desabafava com o “amigo” as suas angústias, e a decepção por não conseguir realizar as reformas de que tanto sonhava. Contou a ele seus planos de realizar um plebiscito junto à população para decidir sobre a continuidade de seu governo. Pinochet, ao saber disso, tratou de acelerar o planejamento do golpe. E logo no início da manhã de 11 de setembro de 1973, La Moneda foi cercado. Allende, que chegou ao palácio logo depois de saber da insurreição, ainda disse: “Pobre Pinochet, certamente deve estar preso a essa hora”.



Encontro de amigos: Pinochet e meu xará...



... e aqui, o povo a quem tanto serviu despede-se com muita tristeza.

Junto a seus fiéis funcionários e seguidores, o presidente socialista eleito democraticamente resistiu até que pôde. Alguns foram presos, outros torturados, outros fugiram, e de outros não há notícia até hoje. Allende teria se suicidado, segundo a versão oficial. Seu corpo, envolto em uma colcha, foi carregado pelos militares, e seu paradeiro verdadeiro ainda é motivo de dúvidas nos dias atuais.

Segundo dizem, comia criancinhas.

9 de set de 2008

O que os olhos não vêem, a Globo não sente

Você tem acompanhado as Paraolimpíadas? Não? Não se preocupe, você não é o(a) único(a). Ninguém no Brasil está acompanhando as Paraolimpíadas. Motivo? Não sei. Meu lado ingênuo acredita que é pelo fato de haver notícias “mais importantes”. Meu lado contestador do lado ingênuo diz que é pelo fato de não haver apelo comercial.
Vou aos dois maiores portais de notícias do Brasil, o Terra e o Uol. Nenhum dos dois neste momento, às 23h06min, faz alguma menção aos jogos em sua página inicial.
No Globoesporte.com, há apenas uma atraente chamada “Dia de medalhas para o Brasil na Paraolimpíada”, situada no fim da página inicial, com menos destaque do que a notícia da “Musa do Brasileirão”.
Na televisão, quase não se fala disso. Óbvio que há alguma matéria no Jornal Nacional e no Globoesporte, mas é só para registro. Basta ver que a Globo mandou repórteres do “segundo escalão” para cobrir estas Paraolimpíadas, enquanto que nos Jogos Olímpicos só faltou a Fátima Bernardes direto da China, com aquele sorriso “oi, você não tem o que comer, mas um brasileiro chegou orgulhosamente em 23º lugar”.
Hoje, o Brasil ganhou CINCO medalhas de ouro, além de diversas outras de prata e bronze. No Globoesporte, falou-se apenas de três das cinco de ouro. Quanto aos prateados e “bronzeados”, não se mencionou nem o nome.
Uma Paraolimpíada passa despercebida, porque não tem o apelo comercial da sua “prima rica”, não atrai tanta gente, não movimenta o comércio, não dá audiência, etc.
E, ao contrário dos “jogos oficiais”, nesta o Brasil vai muito bem, obrigado. Estamos em QUINTO LUGAR no quadro de medalhas, pulverizando recordes mundiais. Mas provavelmente não veremos hino nacional tocando na íntegra no Fantástico e nem recordista aparecendo na Hebe, na Ana Maria Braga ou no Faustão.


Este brasileiro, Daniel Dias, tem três medalhas de ouro na natação, conquistadas com três recordes mundiais

No link abaixo você confere o quadro de medalhas: http://esportes.terra.com.br/jogosparaolimpicos/pequim/2008/interna/0,,OI3142637-EI12212,00.html
Ah! Ao contrário do quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos, neste não consta o nome do ganhador de cada medalha, nem o esporte onde competiu.

Provavelmente não seja importante.

7 de set de 2008

Crônica das 22 horas do domingo

No último domingo tivemos Chile x Brasil pelas eliminatórias da Copa do Mundo da África do Sul, popularmente conhecida, segundo os amigos do Impedimento, por MANDELÃO 2010. Foi o confronto Neruda x Machado de Assis, Bachellet x Lula, Allende x Jango, Pinochet x Médici, Concha y Toro x Acquasantiera.
Milhões de brasileiros ficaram acordados até a meia-noite, horário final da partida, mesmo sendo um depressivo final de domingo, mesmo sendo frio, mesmo com o Galvão Bueno. Entre aqueles que fizeram tal proeza, está este que vos escreve, alienado fã confesso de futebol.


Líder da torcida chilena no andar de baixo
Torci muito, mas muito para o Chile. Perguntarão os incrédulos, ainda eufóricos com os LINDOS e PATRIÓTICOS desfiles de 7 de setembro hoje realizados, quando lembramos nossa (sic) independência: por que você torceu contra? Será para que caia o técnico Dunga e dessa maneira a Seleção Brasileira retome o caminho das vitórias? Não, longe disso. Aliás, seja lá quem for o técnico do Brasil, torcerei com todas as minhas forças pelos adversários da seleção CANARINHO nestas Eliminatórias.

Pelo bem do Brasil, temos que ficar de fora da próxima Copa do Mundo. Vejo isso como fator primordial para a mudança de consciência do povo brasileiro, além da renovação do futebol, nossa maior paixão. Somente uma colocação abaixo do quinto lugar entre todos os países sul-americanos, onde o Brasil almeja ser o líder supremo em termos de política, vai provocar mudanças radicais e profundas no comando da Confederação Brasileira de Futebol, onde o governo absolutista de Ricardo Teixeira dura mais de duas décadas. Nem os militares ficaram tanto tempo assim no poder. E para piorar, se até alguns anos atrás a nossa maior emissora de televisão chegou a fazer um Globo Repórter Especial, somente com denúncias ao chefe-MOR da CBF, hoje os dois andam lado a lado, de mãos juntas (qualquer semelhança com a época da ditadura não é mera coincidência). Com Ricardo Teixeira fora, teremos excluída uma praga do nosso futebol, responsável por denúncias abafadas de corrupção, desvio de verbas, falência de clubes, etc. Para o bem de nosso futebol, que tenhamos Copa para o Brasil só em 2014. E para essa já estamos desgraçadamente classificados, afinal, ela vai ocorrer em nossos jardins.



O poderoso chefão

Outra razão: uma diminuição sensível na alienação do povo brasileiro. A cada quatro anos, o Brasil pára, literalmente. Até as mais radicais indústrias capitalistas, inimigas mortais do ócio e da perda de tempo, param sua produção durante jogos do Brasil na Copa. (com isso, não quero com isso dizer que quero que o Brasil fique fora do Mundial para que as empresas produzam mais! Por favor né!). O fato é que talvez o brasileiro perceba que existem coisas mais importantes do que o futebol, como por exemplo a política, a educação, etc, e que eles podem viver sem uma Copa do Mundo. Isto é, se o Galvão Bueno deixar né...

Por isso, reafirmo: Brasil fora da Copa, para o bem do Brasil! E para azar do Departamento Comercial da Globo...

PÓS-POST: O Dunga deve ter lido esse post e mostrou aos jogadores antes da partida. Só pode. Tudo o que escrevi se foi por água abaixo em 90 minutos.

5 de set de 2008

Sirotski cabra-macho

Todo bom estudante de história, pessoas de bem, fãs do Lima Duarte e daquele comercial da Century ou leitores assíduos devem conhecer o termo Coronelismo, o qual faz referência ao sistema vigente no Nordeste no final do século XIX e primeira metade do século XX. Coronelismo é o nome que damos ao sistema onde o poder ficava nas mãos dos coronéis, ou seja, oligarquias que davam ordens, comandavam a política e/ou economia de uma determinada região, sempre com mão de ferro. A influência dos coronéis na política brasileira foi enorme. O termo voto de cabresto veio daí.
Costuma-se dizer que o Coronelismo ainda impera no Nordeste, citando como maiores exemplos as famílias ACM, na Bahia, e Sarney, no Maranhão. Concordo, apesar de ver esse pseudo-coronelismo diminuir, como vimos em 2006, quando a Bahia elegeu um governador petista no primeiro turno, um golpe tão duro que o patriarca da família ACM foi violar painéis do Senado em outras esferas (perdão pelo humor negro).
Pois é. Nós, gaúchos, seguindo nosso discurso de orgulho e de olhar para o próprio umbigo, nos vangloriamos de não possui esse sistema e nunca sermos submetidos a esse tipo de política.
Pois eu afirmo que HOJE em dia nós temos um coronelismo muito forte no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, o qual só tende a crescer. E esse coronelismo responde por três letrinhas: R-B-S.


O olho mágico
Se você acha que eu estou falando besteira, responda depressa: você ultimamente não chegou a ler algum destes jornais (ZH, Diário Gaúcho, Pioneiro, Diário de Santa Maria), ouviu alguma destas rádios (Gaúcha, Farroupilha, Atlântida, Itapema, Cidade), sintonizou na RBS ou na TV Com, clicou no ClicRBS ou no Hagah ou comprou algum cd da Orbeat Music? Pois todos estes veículos fazem parte de um mesmo grupo, a Rede Brasil Sul.



A casa grande do Coronel
Vejamos os números do filhote da Globo: contando Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a empresa onde trabalha o Pederneiras contabiliza 18 emissoras de televisão; 2 tvs comunitárias, 26 emissoras de rádios (contando-se aí as filiais da Atlântida e da Itapema), 8 jornais, 2 portais de internet, 1 editora, 1 gravadora, 1 empresa de logística, 1 empresa de marketing e ações para o público jovem e 1 fundação.
É impressionante como a RBS está tomando conta da informação e do entretenimento no Rio Grande do Sul. É assustador. O monopólio sobre a informação só não é completo porque temos do outro lado o sistema Caldas Júnior que resiste, mas “entregou-se pros home” da Record. Sempre lembrando que o sonho da Record é ser a Globo. Então...
Em Santa Catarina é ainda pior. A RBS foi comprando, um por um, os maiores jornais do Estado, sempre nas grandes cidades. O último foi A Notícia, de Joinville, o último BALUARTE da imprensa que não estava atrelada aos Sirotski.
A emissora elege governadores, prefeitos, tem comentaristas que implantam o que querem em nossas cabeças, e ninguém percebe. É, viver sob o coronelismo não é fácil.
Em tempo: se você leu este texto e ficou com certa raiva da emissora que traz a sua vida na tv, faça como eu. Desconte-a aqui: http://br.youtube.com/watch?v=U9CXtycJz_g

4 de set de 2008

Calma, ainda não fui seqüestrado por ELES

Hoje, ao badalar da meia-noite, tem post novo.

Aguarde e confie.

2 de set de 2008

Ninguém segura a juventude do Brasil

Ainda hoje lembro da primeira vez em que alcancei o PODER. Foi em 1996, na Escola Estadual São Marcos, quando fui ALÇADO, através de vias democráticas, ao cargo de vice-líder da 5ª série. Naquele momento, a honra que eu sentia era enorme. Sentia um voto de confiança, uma responsabilidade e um orgulho como poucas vezes havia sentido. Mas algo me amedrontava profundamente: o momento de arriar a bandeira na hora cívica.
Todos os meses, na última quinta-feira, havia a HORA CÍVICA no final da aula, onde alguma turma apresentava uma poesia qualquer, extraída de um livro qualquer por um professor qualquer, não fazendo qualquer sentido. O que me deixava angustiado era o momento de descer a bandeira. As três FLÂMULAS eram descidas sempre por um professor, um representante do Grêmio Estudantil e um líder ou vice das turmas. Sempre imaginei quando seria a minha hora. Como vou fazer para descer a bandeira? E se eu não conseguir desamarrar o nó? E se eu descer a bandeira antes do hino terminar?
Chegou então o dia. Era o mês de setembro, e sob minha responsabilidade ficou a bandeira de Garibaldi. Se hoje ainda sou tímido, imagine na 5ª série. Todos os olhos da escola a meu redor, e o hino inicia. Tudo transcorre normalmente, mas durante aqueles poucos minutos, nada fazia sentido para mim a não ser descer aquele pedaço de pano de forma cuidadosa. Não sabia o que fazia ali, qual o sentido daquele momento, nem o porquê de termos uma hora cívica.

Com essa introdução toda, quero fazer a seguinte pergunta: o que nós entendemos de civismo? Nesta semana, indo para o trabalho, acompanho a sessão cívica que acontece na Avenida Rio Branco. Vejo escolas se apresentando, vejo alunos declamando poemas de amor à pátria. O que estes jovens sabem sobre a pátria? Qual o valor que aquele momento representa para eles? É um momento de exaltação do orgulho, ou apenas uma formalidade para ganhar um ponto a mais no boletim?
Fico com a segunda opção. Nós não sabemos nada sobre civismo, e as escolas tão pouco se esforçam para ensinar. Por isso, nem culpo a gurizada, afinal, eu era assim também. Patriotismo, no Brasil, só vemos durante esta semana, ou em jogos da Copa. De resto, ao invés de lutarmos por um país unido, pregamos a desigualdade, ao rotularmos gaúcho de veado, nordestino de preguiçoso, carioca de arruaceiro, paulista de obcecado pelo trabalho, etc.
Preferimos o ensino pragmático. Preferimos ensinar o que é uma equação de quarta potência a dar noções de cidadania, de conhecimento das leis. Talvez as pessoas julguem isso irrelevante. Pode ser. Ao menos, assim os monstrinhos continuam domesticados.
Não quero com esse texto pregar a exaltação e o ufanismo ao patriotismo, o qual considero outro fator de alienação. Mas quero dizer que precisamos rever valores que estão perdidos na educação. Nossos jovens (olha o idoso falando) de hoje em dia não conhecem nada sobre nosso país, a alienação impera. Precisamos urgente implantar valores de cidadania nas escolas. Do contrário, seremos para sempre meros decoradores de poesias cívicas para a apresentação no 7 de setembro.

Ou arriadores de bandeira.

Atenção senhores: todos em posição de respeito para o Hino Nacional Brasileiro

São 23h54min, está relativamente frio e eu estou exausto após uma desgastante partida de futsal praticada nesta noite, mas eu não poderia deixar este dia passar em branco. Afinal, hoje, 1º de setembro, deu-se início às comemorações da gloriosa Semana da Pátria.
Muito bem. Agora, você, caro cidadão brasileiro, me responda: o que comemora-se na Semana da Pátria? “Ah, a Independência”, dirão os sábios. Mas que independência? Qual o real sentido de independência?
Vamos partir pela análise histórica. Tudo bem, muito bonito, a independência do Brasil em relação a Portugal realmente aconteceu em 7 de setembro (até que provem o contrário), mas como vocês devem ter estudado na aula de História no Ensino Médio, tudo faz parte de um processo. Datas, para a História, são tão insignificantes quanto a cor vermelha para mim (desculpe, comparação ridícula). Mas falando sério: o menos importante de todo este processo é a data de 7 de setembro. Aliás, a pintura abaixo, que com certeza você já viu nos livros de História, e provavelmente verá no Fantástico domingo que vem (me cobrem se não aparecer), não tem nada a ver com a realidade.


Cena de alguma minisérie da Globo


Na verdade, ela foi feita muitas décadas depois, dentro da proposta republicana de criarmos heróis para o nosso povo. Ah, detalhe um tanto insignificante, a la Eduardo Bueno: Dom Pedro não estava montado num cavalo, e sim num burro. E nas margens do riacho Ipiranga, sofria com problemas estomacais.
Analisemos então o que mudou com a nossa INDEPENDÊNCIA:
-Antes de 07/09/1822, o Brasil era uma colônia oligárquica, agrícola e escravocrata;
-Depois de 07/09/1822, o Brasil virou um país oligárquico, agrícola e escravocrata.

Nenhuma estrutura de poder modificou-se. Nada saiu de seu lugar. E, pasmem, o chefe do novo país, que recém se libertou de Portugal, era um... português! Depois, eles que são burros.

Tenho muito mais para falar da independência (sic) do Brasil, mas prefiro dividir o assunto em diversos posts ao longo da semana. Até porque você verá muito verde e amarelo até o próximo domingo, muitos discursos demagógicos exaltando os heróis (?) que batalharam (?) muito para libertar o Brasil das GARRAS de Portugal. Por enquanto, procure por Eu Te Amo Meu Brasil no Emule. E dá-lhe vinheta!

Em tempo: se alguém de vocês descobrir para que serve ou qual o sentido desse tal de fogo simbólico, me avise. Prometo gratifica-los.

Ah, o mais importante de tudo: meu time ganhou, e eu fiz um gol. Efetividade (TITE, 2008) é isso aí.

30 de ago de 2008

Como denegrir a imagem do Socialismo em Cuba em 15 práticas lições

1) Escolha para tecer seus comentários sempre uma turma ou grupo de trabalhadores da área de Exatas, onde as chances de você ser contestado é bem menor;

2) Selecione sempre as imagens mais feias para referir-se aos cubanos, e as mais bonitas e luxuosas para referir-se aos estrangeiros e estadunidenses que vivem lá;

3) Ridicularize os carros antigos, os táxis-bicicleta, as construções velhas e o modo simples como os cubanos se vestem;

4) Ressalte o fato de que não há propriedade privada, mas de modo que isso pareça o cúmulo;

5) Constantemente, lembre a eles o fato de o maior salário ser de 30 dólares, ignorando que a moeda é o peso cubano, sua proporção monetária e ressalte sempre que o sonho dos cubanos é ganhar em dólares;

6) Use sempre a clássica frase: “A guia me apontou para o carregador de malas do hotel e disse: ‘Tá vendo aquele cara que carrega as malas? Ele é médico!’”;

7) Ridicularize o fato de um médico ganhar quase o mesmo que um faxineiro. Para isso, obviamente, menospreze esta última profissão;

8) Diga sempre que os fatos que você está contando lhe foram repassados por um cubano, e não inventados por você;

9) Use sempre a palavra “ditador” ao referir-se a Fidel Castro;

10) Tente destruir ao máximo a imagem de Che Guevara, passando-o de “ídolo” a “assassino”. Sempre usando falas de cubanos, é claro;

11) Ridicularize os souvenires com a imagem de Che Guevara;

12) Use com a maior freqüência possível a palavra “pobreza”;

13) Diga que é o cúmulo as pessoas não terem acesso a celular, um item tão “indispensável”;

14) Ignore os assuntos “educação”, “saúde” e “embargo econômico dos EUA”;

15) E, é claro, leia sempre a Veja.

Golfinhos, a bênção de Havana

Difícil escrever algo quando ainda se está psicologicamente alterado. E desta vez não foram gols vermelhos no Olímpico, Lasier Martins ou algo do gênero.
Quando se volta de uma aula da faculdade onde o professor/palestrante distorce completamente as informações, oferece aos alunos algo onde está intrínseco que deseja implantar um pensamento tendencioso, quando se manipulam imagens e fatos a favor de um sistema, é difícil, muito difícil, não se revoltar com certas coisas.
Não sei por que cargas d’água fui deixar a cadeira de ECONOMIA para meu último semestre na faculdade. Empurrei até não ter mais jeito. Maldita a hora em que tive essa decisão. Tivesse eu feito Economia no primeiro semestre, e eu estaria um pouco mais alienado, acharia apenas uma cadeira para encher lingüiça e não daria a mínima para o que o professor falasse. Mas não, a besta aqui deixou para o fim. Agora, que agüente as conseqüências.
A aula de hoje foi dedicada única e exclusivamente a acabar com Cuba. Foi dedicada a uma palestra de um senhor que esteve em Cuba como TURISTA e emitiu sua opinião sobre o país que meu professor classificou como “A DISNEYLÂNDIA DOS ESQUERDISTAS”. Prato cheio para ser implantado em um turma de alunos de engenharia, onde eu sou o único cara com papos chatos. Acho que eles devem estar certos. Bom mesmo é falar de motor de carro.


Principal guia de viagem do palestrante
Enfim. O que mais dá raiva é a forma como o palestrante ESCULACHA Cuba. Tudo preparado de tal forma que não pareça premeditado. Em TODOS, eu disse TODOS os pontos negativos, o palestrante usou a fala de algum morador de Cuba, querendo dizer, com isso: “Olha, não sou eu que estou dizendo, são os cubanos”. Sem falar nas imagens. Ele usou apenas das PIORES imagens possíveis da ilha. Para se ter uma idéia, ele mostrou uma placa da entrada de um clube com os valores em pesos cubanos, mas disse que eram em dólares!

Menções à educação e à saúde, nem pensar. Na educação, ele apenas mencionou o assunto de leve, e o principal ponto foi ridicularizar o fato de todos os alunos usarem uniformes. Quanto à saúde, nem tocou no assunto.



Pobres criancinhas cubanas, não podem ter celular!

E a palestra seguiu assim, no melhor estilo “Li na Veja”. Os engenheiros foram presas fáceis. Pergunta de um deles: “Professor, se eles ficam 12 anos estudando, e viram nos livros as revoluções que aconteceram em outros países, por que eles não fazem uma revolução também para se livrar dessa situação?”. E a resposta do palestrante: “Porque eles tem medo”.

E para terminar, ele ainda apresentou alguns slides cujo nome do arquivo era: “Cuba-Cultura”, onde mostrou fotos da estada dele e da esposa num parque aquático em Havana onde os golfinhos faziam malabarismos. Frase dele: “Valeu a pena ter ido a Havana principalmente por causa disso”.

Haveriam muito mais coisas aqui para citar, mas o texto já está longo, a temperatura é de 2° e o álcool consumido no ônibus começa a fazer efeito. Mas retornarei a falar sobre o assunto. Desculpe se este post não tem um grande sentido. É que dá raiva. Junte a isso outros fatos tenebrosos que uma amiga minha me contou, e temos um barril de pólvora na minha cabeça. Mas deixa pra lá. O que importa é que os golfinhos, ah, os golfinhos eram tão bonitinhos...

28 de ago de 2008

Marcelinho Pão e Vinho

Diálogo que eu presenciei, na última sexta à noite.

A mulher de cabelo arrumado, com cinco cores diferentes, o qual provavelmente custou o valor do meu salário, indaga:
-Garçom?
-Pois não, senhora?
-Quais as opções de vinho tinto que tens?
-De vinho tinto tenho apenas a marca XXXXXX.
-O quê? Mas eu não quero esta porcaria! Isso é uma vergonha! Onde já se viu? Não quero tomar essa coisa!
-Minha senhora, sinto muito, mas como este é um evento de Seleção dos Melhores Vinhos e Espumantes, tenho aqui apenas algumas marcas, que nossos vinicultores trouxeram.
A marca não era ruim, mas era uma marca desconhecida. Um sobrenome de algum cantineiro do interior.
-Mas não quero nem saber. Vocês deviam se envergonhar de servir essa porcaria. Droga de evento!
Ao fundo, uma orquestra de acordeons, vinda da Itália, executava “Libertango”, de Astor Piazzola.
Ao redor, servia-se um buffet de pratos finos, regado aos melhores vinhos e espumantes da cidade.


Em outro ponto da cidade, um diálogo que não presenciei, mas que provavelmente pode ter acontecido:
-Mãe, tem alguma coisa pra come?
-Agora, filho? Mas tu já comeu um pouco de feijão no almoço!
-Mas eu tenho fome mãe...
-Tô sem dinheiro. Vô tenta fazê faxina amanhã pra vê se eu consigo compra uns pão.
-Mas eu tenho fome agora, mãe...
-Fica quieto e vai dormi!
E o garoto se vai. O vento gelado entra pelas frestas da parede de madeira, e o menino sonha com um pão. Um belo pão. E ele o comeria todo, sozinho.

26 de ago de 2008

O Banheiro do Pan

Você já assistiu O Banheiro do Papa? Provavelmente não, não é mesmo? (Elisa, shh). Trata-se de um filme uruguaio que, apesar de alternativo, popularizou-se bastante, mas, é claro, não chegou à unha dos pés da bilheteria de CLASSICOS deste ano como Batman, A Múmia 3, Homem de Ferro, entre outros títulos do cinema de cifras.
Pois El Baño del Papa (ahh, como é belo o idioma espanhol) conta a história de uma pequena cidade uruguaia perto da fronteira com o Brasil que prepara-se para receber o Papa João Paulo II. Moradores vendem casas, terrenos e automóveis para comprar mantimentos e embelezar a cidade a fim de atender aos inúmeros visitantes que esperavam receber, além é claro, de ter a esperança de melhorar de vida com a presença do SANTO PADRE.
Pois acontece que o Papa passa e nada acontece às pessoas. Aliás, acontece: elas estão mais pobres, endividadas, e sua vida continua na mesma miséria de antes.

O Brasil foi O Banheiro do Papa em 2007. Nosso país, mais especificamente o Rio de Janeiro, sediou no ano passado os Jogos Panamericanos (vinheta: Brasil-sil-sil!!). Durante mais de duas semanas, a CIDADE MARAVILHOSA foi o local mais perfeito das Américas: tranqüilidade, segurança, turistas, medalhas, enfim. Tudo como a Globo sonhou. Para completar, ainda conseguimos, com muito ORGULHO, o terceiro lugar no quadro de medalhas, logo atrás de Cuba e a quilômetros de distância do TIME C dos Estados Unidos.
Pois bem: qual o legado destes Jogos, além de muitos elefantes brancos? O que o povo brasileiro ganhou com isso? A segurança melhorou após os jogos? O Rio passou a ser uma cidade melhor para se viver? Ah, uma coisa melhorou, com certeza: o bolso de quem organizou este evento, que custou 4 BILHÕES de reais dos nossos cofres.

O Rio de Janeiro continua lindo

Pois não bastasse isso, querem implantar mais dois Banheiros do Papa no Brasil: a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016. O primeiro já foi conseguido, pois a Fifa confirmou a Copa por terras tupiniquins daqui a seis anos. Vem muito elefante branco por aí, e muitos dólares para o bolso de Ricardo Teixeira, cujo mandato frente à CBF durará mais do que a vida da Dercy Gonçalves.
E existem grandes chances de termos a Olimpíada por aqui também. Maquiaremos o Rio mais uma vez. Recomendo: se você quiser visitar o Rio sem medo de ser feliz, espere por agosto de 2016.

Com os bilhões de dólares que serão investidos nos dois eventos (mais os que já foram por causa do Pan) poderíamos solucionar o problema da educação no Brasil, oferecer muito mais ensino superior gratuito, instruir melhor nosso povo. E por que não o fazemos?

Simples: bem instruído, o brasileiro terá a capacidade de raciocinar, de saber reclamar, protestar e derrubar quem está lá no alto. Realmente, é melhor investirmos bilhões na Copa. É muito mais fácil controlar o povo com a vinheta da Globo e com o Galvão Bueno do que com educação.

Alienação hindu

Se você é daquelas pessoas que adoram vestir, usar, falar e tragar tudo o que aparece nas novelas, prepare-se. Agora, se você não gosta, prepare-se mais forte ainda.
A próxima novela das nove da Globo será escrita por Glória Perez, a mesma autora da novela América, aquela onde os americanos falavam português, os cubanos falavam português e os mexicanos falavam português. E tudo isso sem sotaque nenhum, em Miami! Foi nessa mesma novela que a imensa TRADIÇÃO COUNTRY do Brasil popularizou-se.
Pois Caminho das Índias, a próxima novela da acima citada, vai falar sobre a (!) Índia! Vem aí nomes estranhos, no idioma hindu (ou seja lá qual for o idioma que a Glória Perez criar), roupas coloridas, enfim, moda indiana.
O Globo Repórter, muito em breve, deverá fazer alguma matéria especial sobre a Índia, as revistas de moda só falarão sobre a Índia, todos só falarão sobre a Índia, Índia, Índia. Já vou avisando desde já.



"Sou seu pior pesadelo"


É incrível o poder que uma novela consegue desenvolver sobre o povo brasileiro. Quer fazer um teste? Entre na internet, pesquise alguma roupa ou acessório indiano e tente sair na rua com o mesmo. Provavelmente, vão rir de você ou te achar brega. Tente repetir a mesma roupa dentro de seis meses.

Estou escrevendo tudo isso agora, às 00:04, para avisar a vocês, nobres pessoas que gostam de papos chatos. Vamos nos proteger desde já. Estocar comida, água potável, livros do Saramago, filmes argentinos e cds do Caetano, antes que seja tarde. O fantasma da “moda da novela” está de volta.

Bú!

25 de ago de 2008

A regra é clara

Conversa de bar.

-E o Grêmio, hein?
-Pois é. Um ponto em seis disputados.
-Dá 16,66% de aproveitamento.
-Nem me fala. De 71,8% no campeonato, caímos para 68,7%.
-Tô preocupado.
-E eu então? Ta difícil até pra dormir.
-Ao menos, a campanha continua boa.
-Ô. 13 vitórias, 6 empates, 3 derrotas.
-Baita saldo também.
-Aham. 23 gols.
-Esquema tático afinado.
-Mas bá! 3-5-2 compacto, com triangulação do meio de campo, variação de ataque e defesa entre os alas, ataque de movimentação e defesa sólida.
-Belo elenco.
-De onde veio o Victor?
-Paulista, de Jundiaí. Tem 23 anos, veio por indicação do Mano Menezes, mas com aval do Vagner Mancini. Sempre jogou em Jundiaí, tem reflexos ágeis.
-E o Rafael Carioca, então? Nascido no Rio, mas garimpado pelo Grêmio na Copa São Paulo de Juniores de 2005, ótima movimentação, visão de jogo, 21 anos, nascido em 4 de setembro, fã do Maradona.
-E o Tcheco, hein? Ta jogando o fino, bem melhor do que o ano passado.
-Aham. Recuperou-se dos chifres que tomou do Schiavi.
-É.
-Mas vem cá. E se o time degringolar, hein?
-Aí eu morro.
-Eu não agüentaria. Não depois de tudo o que sofremos no começo do ano. Não dá pra viver assim.
-É verdade. Se o time começar a perder, eu perco o sono. Mas derrubo o Roth também.
-Iríamos à frente do Olímpico com faixas e cartazes para protestar.
-Construiríamos barricadas em frente à sala da direção.
-Tomaríamos a Grêmio Mania.
-Depredaríamos o Quadro Social.
-É isso aí! Só assim vamos conseguir o que queremos! Não podemos deixar algo tão importante como o nosso time de futebol assim, nas mãos de qualquer um. Dói na alma.
-Com certeza.
-Mais uma Polar?
-Ô.

-Mudando de assunto, vai votar em quem esse ano?
-Nem pensei nisso ainda. Tanto faz pra mim.
-Político é tudo igual, né?
-Tudo ladrão.
-É.

(Silêncio)

-Mas vem cá, o Schiavi pegou mesmo a mulher do Tcheco?

24 de ago de 2008

Efeitos da digestão de uma pizza e nove "bises"

O que leva alguém a publicar um blog? E ainda mais com o “atraente” título de Papos Chatos? (em tempo: “Chatos” está sim com letra maiúscula... afinal, existem muitos chatos com nome próprio). Difícil tentar responder de bate-pronto, ainda mais porque é meia-noite de sábado e as únicas companhias no momento são uma caixa de Bis e um refrigerante com um pouco de gás... E não há critério para essa resposta...
O nome Papos Chatos veio após horas e horas de exaustiva meditação, mantras e preces a Santo Ernesto e São Portaluppi, dois de meus protetores. Pensei em colocar algum título de música importante para mim, mas seria difícil soletrar Mariposa Technicolor, então descartei... Alguma bizarrice, tipo um nome de celebridade, ou de algum jogador do Grêmio caneleiro, como Oberdan ou Yura, mas também descartei, desta vez apenas porque “não achei legal”...
Aí veio o estalo (imagem de uma lâmpada acendendo): lembro de já ter ouvido muitas vezes as pessoas dizendo: “Ihh, lá vem o pessoal da História com esses papos chatos...” E os papos chatos em questão eram, no caso, política, sistema, capitalismo, enfim, essas coisas que as pessoas não gostam de ouvir... Perfeito. Já que esses papos são “chatos”, que se discutam eles com quem quiser, ou quem achar necessário, no democrático universo blogueiro.
Amigos, anônimos, mamelucos, chineses, pessoas que lêem a Veja (glup), revolucionários: entrem e fiquem à vontade.

Por hoje era isso. Porque o maldito do Galvão Bueno já tá começando a berrar e o operador de áudio da Globo já tá com a vinheta alienante "Brasil-sil-sil" no play.

23 de ago de 2008

Toc, toc


Ei, você aí dormindo no sofá com a tv ligada na Globo! Chame seu pai e sua mãe!

Papos Chatos chegou.