26 de fev de 2009

Pequeno texto sobre a esperança (ou a falta dela)

Nem só de Carnaval vive o Rio Grande do Sul em fevereiro de 2009. Além de promover festas onde ninguém é de ninguém, aumentar o faturamento da Skol, entre outras atividades, nosso estado também ocupa-se em destruir o único movimento social que resta no país.
Como vocês já devem ter ouvido falar, o Ministério Público ordenou o fechamento das escolas itinerantes do MST. Estas escolas são montadas nos acampamentos dos sem-terra. Lá, além de matérias normais, os alunos aprendem sociologia, filosofia, e principalmente, noções de cooperativismo, vida em sociedade, igualdade, etc. O Superior Tribunal de Justiça ordenou o fechamento imediato destas escolas porque nelas as crianças estariam aprendendo conceitos radicais e sofrendo “lavagem cerebral” das idéias do MST, que, para a grande mídia, são: roubar, invadir, quebrar e destruir, não necessariamente nesta ordem
A escola itinerante do MST em São Gabriel já foi fechada. As crianças que estudavam lá serão encaminhadas para escolas estaduais, ou seja, entrarão em processo de alienação e dentro de alguns poucos anos não irão querer viver nos acampamentos, sentirão vergonha de usar o boné do MST e abandonarão os pais para ir trabalhar em alguma metalúrgica ganhando R$ 550,00 por mês. A próxima deverá ser a escola de Veranópolis
Pois é. O Rio Grande do Sul, logo ele, o estado dito mais culto-politizado-educado do país está acabando com os movimentos sociais, está sucateando a educação, enfim. Nossa governadora está conseguindo tudo a que se propôs. Aliás, nem seu marido a agüenta mais, tanto que pediu o divórcio.
A falta de esperança e o desânimo são tão grandes que não dá mais vontade de escrever.


Ainda bem que acredito nas Flores.

10 de fev de 2009

A taça do Oscar não é nossa

No dia 22 de fevereiro, acontece mais uma edição do Oscar. Sei que a maioria dos que lêem (oi, Reforma Ortográfica) este blog não usam este prêmio como parâmetro na hora de escolher um filme, afinal de contas existem muito mais coisas entre o cinema e aquele tapete vermelho do sonha a nossa vã filosofia. Da minha lista de filmes favoritos (que encontra-se anexada no meu orkut), a grande maioria não chegou nem perto de receber a tal estatueta. Mas a idéia deste post é discutir um fato: o porquê do cinema brasileiro contemporâneo não ter ganho um Oscar.
Será que nossos filmes são tão ruins que não alcançaram mais do que três indicações a melhor filme estrangeiro? Sabemos que o Brasil está de costas para o restante da América Latina, mas acredito que diversos filmes nacionais são tão bons quanto uma competente produção argentina ou mexicana. Então, por que o preconceito da Academia?
Pois na década de 60 alguns senhores chamados de Militares chegaram ao poder no Brasil. Como fazer cinema era coisa de subversivo e poderia incitar a “pensamentos maléficos” sobre o regime que havia no Brasil, só passaram a ser permitidos no Brasil filmes com o intuito de “distrair” o povo. Foram aí que surgiram as “comédias pastelão”, protagonizadas pelos Trapalhões, Mazarópi, entre outros. E também foi aí que se expandiu a face mais baixa do cinema brasileiro, e que ainda hoje nos custa caro “lá fora”: a pornô-chanchada. Tratava-se de filmes pornográficos no real sentido da palavra, sem um mínimo de história, roteiro ou algo parecido, e que caracterizou o cinema nacional por diversos anos, quiçá décadas. Ainda hoje, a pornô-chanchada causa problemas à visão que os críticos estrangeiros tem do cinema nacional. E deveremos levar muito tempo ainda para nos recuperarmos.
Mas nós sabemos que o cinema brasileiro tem qualidade, e é por isso que na próxima vez que formos à locadora, vamos dar uma olhada com mais cuidado na prateleira “nacionais”, não é mesmo? E se você ainda não se convenceu, aí vão três “Made in Brazil” que você precisa ver: Abril Despedaçado, O ano em que meus pais saíram de férias e O cheiro do ralo. Sejamos bairristas, por um bom motivo. Ou se você acha que o cinema não é um bom motivo para se orgulhar do país, então, sei lá. Assista Brasil x Itália com Galvão Bueno narrando.

Parece cinema argentino, mas é O ano em que meus pais saíram de férias

Pois eis que vou tirar uns dias de folga. Sim, mas antes que vocês entrem em depressão profunda, percam a razão de viver ou chorem compulsivamente, fiquem sabendo que estes dias serão curtos, pois segunda-feira já estarei de volta. Até lá, espero que este post tenha uns 200 comentários, no mínimo.
Comportem-se, mortais trabalhadores.

6 de fev de 2009

Os Cegos do Castelo e nós, os Azarados

É o assunto “pop” do momento, até porque a Globo abraçou a causa, mas tudo bem, eu vou falar também. É o tal do Castelo.
Para quem não sabe do ocorrido, o deputado Edmar Moreira, do (surpresa!) Democratas de Minas Gerais, partido mais conhecido pela sua abreviatura (DEMO), foi eleito nesta semana corregedor da Câmara dos Deputados, o cara que fiscaliza os colegas, dá bom exemplo, etc e tal. Pois descobriram que o cara tem, em Minas Gerais, mais precisamente, no interior do interior do estado, um castelo de verdade, avaliado entre R$ 20 e R$ 25 milhões. Seria algo como se alguém tivesse um castelo em, sei lá, LINHA POMPÉIA, interior de Coronel Pilar.

De fazer inveja até ao Rei-Sol

Além disso, parece que o deputado tem problemas de sonegação de impostos trabalhistas, entre outras coisas. O “imóvel” não foi declarado nas últimas eleições, e segundo o deputado, não o foi porque o castelo foi dado a seu filho. Ah, completando a história, a cidade onde foi construída a pequena casa é governada pela mulher do deputado.
A Globo, desde ontem à noite, bateu sem parar na questão, acusando veementemente o deputado, manipulando a opinião pública de modo avassalador. Como agora o Chaves não passa mais às 7 da manhã, sou obrigado a tomar café assistindo ao Bom Dia Brasil, tele-jornal que também malhou exaustivamente o deputado. Alexandre Garcia era um dos mais exaltados, humilhando e destruindo com toda e qualquer moral que podia existir ao deputado.
Pois bem. Claro, sabemos que o deputado é culpado, afinal, basta ver seu jeito de falar e sentimos aí que ele está incorporando ACM na veia. A grande questão é: por que cargas d’água SÓ AGORA essa história veio á tona? Será que o deputado não cumpriu algum acordo que havia feito à tempos atrás com a dita emissora? Ou será que de uma hora para outra a Globo resolveu montar em seu cavalo e sair a liderar a “Cruzada pela Verdade Absoluta”? O Castelo foi construído na DÉCADA DE 80. Será que ninguém nunca o havia visto antes? Mais indignante do que o próprio fato em si é essa hipocrisia da imprensa. Não se iludam: é tudo farinha (de joio) do mesmo saco.

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Sei lá, às vezes eu acho que o Brasil está condenado para sempre a ser essa fonte de corrupção, mau-caratismo e alienação. Acho que nós somos um povo azarado, não adianta.
No mesmo dia em que a “Questão Castelo” veio à tona, era enterrado no Rio Grande do Sul o deputado federal Adão Pretto, um dos poucos na Câmara Federal a defender as causas dos movimentos sociais, como MST, Via Campesina, entre outros. Filho de agricultores, lutava, muitas vezes inutilmente, contra a maior bancada do Congresso, formada pelo bloco dos grandes fazendeiros e latifundiários. Morreu prematuramente, vítima de pancreatite. Os movimentos sociais estão ainda mais sozinhos e isolados. Vai ver, somos azarados mesmo e não há lei ou plano que possa mudar isso.

3 de fev de 2009

Você APÓIA essa IDÉIA?

Como todos sabem (ou devem saber), desde o dia 1º de janeiro do ano da graça de 2009 está em vigor no Brasil, em Portugal e outros países de quem a mídia nunca fala a nova ortografia do idioma português, ou simplesmente a reforma ortográfica.
Não vou aqui explicar quais são as principais mudanças, até porque todos nós já eestamos enjoados de saber disso. Queria discutir o porquê desta mudança.
A idéia é “unificar” o idioma português, usando a mesma escrita tanto no Brasil como em Portugal, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Timor Leste. Pois eu questiono: por quê? Não seria mais importante mantermos as nossas diferenças? Será que assim não estamos abrindo mão de características peculiares do nosso “português brasileiro”?

Jamais te esqueceremos, amigo.
Sinceramente, não vejo necessária uma mudança como esta, em pleno 2009. Acho que, muito mais importante do que tentar mudar a forma de se escrever, é fazer com que as pessoas escrevam direito. Temos milhões de analfabetos, e dezenas de milhões de analfabetos funcionais, aqueles que não entendem o que LÊEM (pega no meu circunflexo). Não seria melhor que todos estes milhões pudessem ter a capacidade de realmente compreender e interpretar o que estão lendo? Ah, pois é, melhor não, pois senão eles terão a capacidade de pensar, e irão ameaçar a ordem e o progresso nesta nação com políticos tão competentes que elegem um dinossauro para presidente do Senado.
Em Portugal, a reforma ortográfica também não foi muito bem vinda. Em uma entrevista que vi recentemente em uma emissora que não lembro qual era (acho que, desgraçadamente, era na Marinho’s Family), três “intelectuais” portugueses criticavam as novas regras, acusando-as de estarem “abrasileirando” o português. Ué, mas eles não “abrasileiraram” Portugal com nosso ouro?
Bom, mas não adianta chorar pelo leite com Nescau derramado. Até 2012, teremos de estar em dia com as novas regras, pois só elas é que irão valer em concursos, vestibulares e leis. Creio que até lá iremos conseguir compreender porque um país quer escrever diferente antes de escrever direito. E, oxalá, possamos também entender que O VOVO VOOU NO VOO 001 é uma frase, e não um código binário.