30 de ago de 2008

Como denegrir a imagem do Socialismo em Cuba em 15 práticas lições

1) Escolha para tecer seus comentários sempre uma turma ou grupo de trabalhadores da área de Exatas, onde as chances de você ser contestado é bem menor;

2) Selecione sempre as imagens mais feias para referir-se aos cubanos, e as mais bonitas e luxuosas para referir-se aos estrangeiros e estadunidenses que vivem lá;

3) Ridicularize os carros antigos, os táxis-bicicleta, as construções velhas e o modo simples como os cubanos se vestem;

4) Ressalte o fato de que não há propriedade privada, mas de modo que isso pareça o cúmulo;

5) Constantemente, lembre a eles o fato de o maior salário ser de 30 dólares, ignorando que a moeda é o peso cubano, sua proporção monetária e ressalte sempre que o sonho dos cubanos é ganhar em dólares;

6) Use sempre a clássica frase: “A guia me apontou para o carregador de malas do hotel e disse: ‘Tá vendo aquele cara que carrega as malas? Ele é médico!’”;

7) Ridicularize o fato de um médico ganhar quase o mesmo que um faxineiro. Para isso, obviamente, menospreze esta última profissão;

8) Diga sempre que os fatos que você está contando lhe foram repassados por um cubano, e não inventados por você;

9) Use sempre a palavra “ditador” ao referir-se a Fidel Castro;

10) Tente destruir ao máximo a imagem de Che Guevara, passando-o de “ídolo” a “assassino”. Sempre usando falas de cubanos, é claro;

11) Ridicularize os souvenires com a imagem de Che Guevara;

12) Use com a maior freqüência possível a palavra “pobreza”;

13) Diga que é o cúmulo as pessoas não terem acesso a celular, um item tão “indispensável”;

14) Ignore os assuntos “educação”, “saúde” e “embargo econômico dos EUA”;

15) E, é claro, leia sempre a Veja.

Golfinhos, a bênção de Havana

Difícil escrever algo quando ainda se está psicologicamente alterado. E desta vez não foram gols vermelhos no Olímpico, Lasier Martins ou algo do gênero.
Quando se volta de uma aula da faculdade onde o professor/palestrante distorce completamente as informações, oferece aos alunos algo onde está intrínseco que deseja implantar um pensamento tendencioso, quando se manipulam imagens e fatos a favor de um sistema, é difícil, muito difícil, não se revoltar com certas coisas.
Não sei por que cargas d’água fui deixar a cadeira de ECONOMIA para meu último semestre na faculdade. Empurrei até não ter mais jeito. Maldita a hora em que tive essa decisão. Tivesse eu feito Economia no primeiro semestre, e eu estaria um pouco mais alienado, acharia apenas uma cadeira para encher lingüiça e não daria a mínima para o que o professor falasse. Mas não, a besta aqui deixou para o fim. Agora, que agüente as conseqüências.
A aula de hoje foi dedicada única e exclusivamente a acabar com Cuba. Foi dedicada a uma palestra de um senhor que esteve em Cuba como TURISTA e emitiu sua opinião sobre o país que meu professor classificou como “A DISNEYLÂNDIA DOS ESQUERDISTAS”. Prato cheio para ser implantado em um turma de alunos de engenharia, onde eu sou o único cara com papos chatos. Acho que eles devem estar certos. Bom mesmo é falar de motor de carro.


Principal guia de viagem do palestrante
Enfim. O que mais dá raiva é a forma como o palestrante ESCULACHA Cuba. Tudo preparado de tal forma que não pareça premeditado. Em TODOS, eu disse TODOS os pontos negativos, o palestrante usou a fala de algum morador de Cuba, querendo dizer, com isso: “Olha, não sou eu que estou dizendo, são os cubanos”. Sem falar nas imagens. Ele usou apenas das PIORES imagens possíveis da ilha. Para se ter uma idéia, ele mostrou uma placa da entrada de um clube com os valores em pesos cubanos, mas disse que eram em dólares!

Menções à educação e à saúde, nem pensar. Na educação, ele apenas mencionou o assunto de leve, e o principal ponto foi ridicularizar o fato de todos os alunos usarem uniformes. Quanto à saúde, nem tocou no assunto.



Pobres criancinhas cubanas, não podem ter celular!

E a palestra seguiu assim, no melhor estilo “Li na Veja”. Os engenheiros foram presas fáceis. Pergunta de um deles: “Professor, se eles ficam 12 anos estudando, e viram nos livros as revoluções que aconteceram em outros países, por que eles não fazem uma revolução também para se livrar dessa situação?”. E a resposta do palestrante: “Porque eles tem medo”.

E para terminar, ele ainda apresentou alguns slides cujo nome do arquivo era: “Cuba-Cultura”, onde mostrou fotos da estada dele e da esposa num parque aquático em Havana onde os golfinhos faziam malabarismos. Frase dele: “Valeu a pena ter ido a Havana principalmente por causa disso”.

Haveriam muito mais coisas aqui para citar, mas o texto já está longo, a temperatura é de 2° e o álcool consumido no ônibus começa a fazer efeito. Mas retornarei a falar sobre o assunto. Desculpe se este post não tem um grande sentido. É que dá raiva. Junte a isso outros fatos tenebrosos que uma amiga minha me contou, e temos um barril de pólvora na minha cabeça. Mas deixa pra lá. O que importa é que os golfinhos, ah, os golfinhos eram tão bonitinhos...

28 de ago de 2008

Marcelinho Pão e Vinho

Diálogo que eu presenciei, na última sexta à noite.

A mulher de cabelo arrumado, com cinco cores diferentes, o qual provavelmente custou o valor do meu salário, indaga:
-Garçom?
-Pois não, senhora?
-Quais as opções de vinho tinto que tens?
-De vinho tinto tenho apenas a marca XXXXXX.
-O quê? Mas eu não quero esta porcaria! Isso é uma vergonha! Onde já se viu? Não quero tomar essa coisa!
-Minha senhora, sinto muito, mas como este é um evento de Seleção dos Melhores Vinhos e Espumantes, tenho aqui apenas algumas marcas, que nossos vinicultores trouxeram.
A marca não era ruim, mas era uma marca desconhecida. Um sobrenome de algum cantineiro do interior.
-Mas não quero nem saber. Vocês deviam se envergonhar de servir essa porcaria. Droga de evento!
Ao fundo, uma orquestra de acordeons, vinda da Itália, executava “Libertango”, de Astor Piazzola.
Ao redor, servia-se um buffet de pratos finos, regado aos melhores vinhos e espumantes da cidade.


Em outro ponto da cidade, um diálogo que não presenciei, mas que provavelmente pode ter acontecido:
-Mãe, tem alguma coisa pra come?
-Agora, filho? Mas tu já comeu um pouco de feijão no almoço!
-Mas eu tenho fome mãe...
-Tô sem dinheiro. Vô tenta fazê faxina amanhã pra vê se eu consigo compra uns pão.
-Mas eu tenho fome agora, mãe...
-Fica quieto e vai dormi!
E o garoto se vai. O vento gelado entra pelas frestas da parede de madeira, e o menino sonha com um pão. Um belo pão. E ele o comeria todo, sozinho.

26 de ago de 2008

O Banheiro do Pan

Você já assistiu O Banheiro do Papa? Provavelmente não, não é mesmo? (Elisa, shh). Trata-se de um filme uruguaio que, apesar de alternativo, popularizou-se bastante, mas, é claro, não chegou à unha dos pés da bilheteria de CLASSICOS deste ano como Batman, A Múmia 3, Homem de Ferro, entre outros títulos do cinema de cifras.
Pois El Baño del Papa (ahh, como é belo o idioma espanhol) conta a história de uma pequena cidade uruguaia perto da fronteira com o Brasil que prepara-se para receber o Papa João Paulo II. Moradores vendem casas, terrenos e automóveis para comprar mantimentos e embelezar a cidade a fim de atender aos inúmeros visitantes que esperavam receber, além é claro, de ter a esperança de melhorar de vida com a presença do SANTO PADRE.
Pois acontece que o Papa passa e nada acontece às pessoas. Aliás, acontece: elas estão mais pobres, endividadas, e sua vida continua na mesma miséria de antes.

O Brasil foi O Banheiro do Papa em 2007. Nosso país, mais especificamente o Rio de Janeiro, sediou no ano passado os Jogos Panamericanos (vinheta: Brasil-sil-sil!!). Durante mais de duas semanas, a CIDADE MARAVILHOSA foi o local mais perfeito das Américas: tranqüilidade, segurança, turistas, medalhas, enfim. Tudo como a Globo sonhou. Para completar, ainda conseguimos, com muito ORGULHO, o terceiro lugar no quadro de medalhas, logo atrás de Cuba e a quilômetros de distância do TIME C dos Estados Unidos.
Pois bem: qual o legado destes Jogos, além de muitos elefantes brancos? O que o povo brasileiro ganhou com isso? A segurança melhorou após os jogos? O Rio passou a ser uma cidade melhor para se viver? Ah, uma coisa melhorou, com certeza: o bolso de quem organizou este evento, que custou 4 BILHÕES de reais dos nossos cofres.

O Rio de Janeiro continua lindo

Pois não bastasse isso, querem implantar mais dois Banheiros do Papa no Brasil: a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016. O primeiro já foi conseguido, pois a Fifa confirmou a Copa por terras tupiniquins daqui a seis anos. Vem muito elefante branco por aí, e muitos dólares para o bolso de Ricardo Teixeira, cujo mandato frente à CBF durará mais do que a vida da Dercy Gonçalves.
E existem grandes chances de termos a Olimpíada por aqui também. Maquiaremos o Rio mais uma vez. Recomendo: se você quiser visitar o Rio sem medo de ser feliz, espere por agosto de 2016.

Com os bilhões de dólares que serão investidos nos dois eventos (mais os que já foram por causa do Pan) poderíamos solucionar o problema da educação no Brasil, oferecer muito mais ensino superior gratuito, instruir melhor nosso povo. E por que não o fazemos?

Simples: bem instruído, o brasileiro terá a capacidade de raciocinar, de saber reclamar, protestar e derrubar quem está lá no alto. Realmente, é melhor investirmos bilhões na Copa. É muito mais fácil controlar o povo com a vinheta da Globo e com o Galvão Bueno do que com educação.

Alienação hindu

Se você é daquelas pessoas que adoram vestir, usar, falar e tragar tudo o que aparece nas novelas, prepare-se. Agora, se você não gosta, prepare-se mais forte ainda.
A próxima novela das nove da Globo será escrita por Glória Perez, a mesma autora da novela América, aquela onde os americanos falavam português, os cubanos falavam português e os mexicanos falavam português. E tudo isso sem sotaque nenhum, em Miami! Foi nessa mesma novela que a imensa TRADIÇÃO COUNTRY do Brasil popularizou-se.
Pois Caminho das Índias, a próxima novela da acima citada, vai falar sobre a (!) Índia! Vem aí nomes estranhos, no idioma hindu (ou seja lá qual for o idioma que a Glória Perez criar), roupas coloridas, enfim, moda indiana.
O Globo Repórter, muito em breve, deverá fazer alguma matéria especial sobre a Índia, as revistas de moda só falarão sobre a Índia, todos só falarão sobre a Índia, Índia, Índia. Já vou avisando desde já.



"Sou seu pior pesadelo"


É incrível o poder que uma novela consegue desenvolver sobre o povo brasileiro. Quer fazer um teste? Entre na internet, pesquise alguma roupa ou acessório indiano e tente sair na rua com o mesmo. Provavelmente, vão rir de você ou te achar brega. Tente repetir a mesma roupa dentro de seis meses.

Estou escrevendo tudo isso agora, às 00:04, para avisar a vocês, nobres pessoas que gostam de papos chatos. Vamos nos proteger desde já. Estocar comida, água potável, livros do Saramago, filmes argentinos e cds do Caetano, antes que seja tarde. O fantasma da “moda da novela” está de volta.

Bú!

25 de ago de 2008

A regra é clara

Conversa de bar.

-E o Grêmio, hein?
-Pois é. Um ponto em seis disputados.
-Dá 16,66% de aproveitamento.
-Nem me fala. De 71,8% no campeonato, caímos para 68,7%.
-Tô preocupado.
-E eu então? Ta difícil até pra dormir.
-Ao menos, a campanha continua boa.
-Ô. 13 vitórias, 6 empates, 3 derrotas.
-Baita saldo também.
-Aham. 23 gols.
-Esquema tático afinado.
-Mas bá! 3-5-2 compacto, com triangulação do meio de campo, variação de ataque e defesa entre os alas, ataque de movimentação e defesa sólida.
-Belo elenco.
-De onde veio o Victor?
-Paulista, de Jundiaí. Tem 23 anos, veio por indicação do Mano Menezes, mas com aval do Vagner Mancini. Sempre jogou em Jundiaí, tem reflexos ágeis.
-E o Rafael Carioca, então? Nascido no Rio, mas garimpado pelo Grêmio na Copa São Paulo de Juniores de 2005, ótima movimentação, visão de jogo, 21 anos, nascido em 4 de setembro, fã do Maradona.
-E o Tcheco, hein? Ta jogando o fino, bem melhor do que o ano passado.
-Aham. Recuperou-se dos chifres que tomou do Schiavi.
-É.
-Mas vem cá. E se o time degringolar, hein?
-Aí eu morro.
-Eu não agüentaria. Não depois de tudo o que sofremos no começo do ano. Não dá pra viver assim.
-É verdade. Se o time começar a perder, eu perco o sono. Mas derrubo o Roth também.
-Iríamos à frente do Olímpico com faixas e cartazes para protestar.
-Construiríamos barricadas em frente à sala da direção.
-Tomaríamos a Grêmio Mania.
-Depredaríamos o Quadro Social.
-É isso aí! Só assim vamos conseguir o que queremos! Não podemos deixar algo tão importante como o nosso time de futebol assim, nas mãos de qualquer um. Dói na alma.
-Com certeza.
-Mais uma Polar?
-Ô.

-Mudando de assunto, vai votar em quem esse ano?
-Nem pensei nisso ainda. Tanto faz pra mim.
-Político é tudo igual, né?
-Tudo ladrão.
-É.

(Silêncio)

-Mas vem cá, o Schiavi pegou mesmo a mulher do Tcheco?

24 de ago de 2008

Efeitos da digestão de uma pizza e nove "bises"

O que leva alguém a publicar um blog? E ainda mais com o “atraente” título de Papos Chatos? (em tempo: “Chatos” está sim com letra maiúscula... afinal, existem muitos chatos com nome próprio). Difícil tentar responder de bate-pronto, ainda mais porque é meia-noite de sábado e as únicas companhias no momento são uma caixa de Bis e um refrigerante com um pouco de gás... E não há critério para essa resposta...
O nome Papos Chatos veio após horas e horas de exaustiva meditação, mantras e preces a Santo Ernesto e São Portaluppi, dois de meus protetores. Pensei em colocar algum título de música importante para mim, mas seria difícil soletrar Mariposa Technicolor, então descartei... Alguma bizarrice, tipo um nome de celebridade, ou de algum jogador do Grêmio caneleiro, como Oberdan ou Yura, mas também descartei, desta vez apenas porque “não achei legal”...
Aí veio o estalo (imagem de uma lâmpada acendendo): lembro de já ter ouvido muitas vezes as pessoas dizendo: “Ihh, lá vem o pessoal da História com esses papos chatos...” E os papos chatos em questão eram, no caso, política, sistema, capitalismo, enfim, essas coisas que as pessoas não gostam de ouvir... Perfeito. Já que esses papos são “chatos”, que se discutam eles com quem quiser, ou quem achar necessário, no democrático universo blogueiro.
Amigos, anônimos, mamelucos, chineses, pessoas que lêem a Veja (glup), revolucionários: entrem e fiquem à vontade.

Por hoje era isso. Porque o maldito do Galvão Bueno já tá começando a berrar e o operador de áudio da Globo já tá com a vinheta alienante "Brasil-sil-sil" no play.

23 de ago de 2008

Toc, toc


Ei, você aí dormindo no sofá com a tv ligada na Globo! Chame seu pai e sua mãe!

Papos Chatos chegou.